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19 de maio de 2014

RESENHA: UM OUTONO EM RIVER FALLS - Alexis Aubenque (Ed. Vestígio)



Oi, gente!

Vou começar a semana com a resenha de um livro que aguardei com muita curiosidade: UM OUTONO EM RIVER FALLS do ALEXIS AUBENQUE, lançado pela VESTÍGIO.

Um Outono em River FallsUM OUTONO EM RIVER FALLS (vol. 2)
ALEXIS AUBENQUE
Série: River Falls (é bom ler na ordem)
Editora: VESTÍGIO              
Ano: 2014                  
Nº págs: 416
Gênero: Policial, Suspense

SINOPSE: Nesse início de outono, dois assassinatos cometidos um após o outro vêm perturbar a relativa tranquilidade de River Falls, que começava a se restabelecer da sórdida sequência de crimes de alguns meses antes. O primeiro assassinato causa estardalhaço: Robert Gordon, um advogado brilhante, conhecido por sua filantropia, é encontrado eletrocutado na banheira de sua luxuosa mansão em Golden Hill, o bairro rico da cidade. Tudo indica que o assassino tentou disfarçar o crime em suicídio, mas de maneira descuidada. No mesmo dia, o corpo de um mendigo, coberto de hematomas e encontrado no rio, chega ao necrotério, sem causar maior comoção. A priori, nenhuma ligação entre os dois casos. O xerife Mike Logan, com a ajuda de sua companheira, a célebre profiler Jessica Hurley, terá de elucidar os assassinatos.Tem início um inquietante mergulho nas regiões obscuras da alma humana que revelará segredos devastadores.

UM OUTONO EM RIVER FALLS faz parte de uma trilogia. O primeiro livro, SETE DIAS EM RIVER FALLS, me dividiu bastante, pois em alguns momentos encontrei uma narrativa excelente e em outros encontrei situações bastante fracas. Mas, o que mais havia me incomodado no livro era o xerife Mike Logan. Mike se mostrou o tipo de personagem inflexível, que não aceitava opiniões, mesmo dos mais experientes, e que usava apenas de sua metodologia para desvendar o crime, com isso, acabava sempre estando atrasado e alguns passos atrás.

Apesar de ter dado apenas 3 estrelas para o primeiro livro, estava bem curiosa para ver o que AUBENQUE teria preparado no segundo e como Logan se sairia nessa sequência, e fui completamente surpreendida por uma narrativa de tirar o fôlego e um Mike mais maleável.

Em UM OUTONO EM RIVER FALLS, o xerife parece ter aprendido ouvir mais, palpitar menos e procurar olhar para todas as linhas investigativas, sem querer que suas opiniões ou achismos prevaleçam.  Já Jéssica, a profiler do FBI, continua impressionante e fenomenal. A mulher é um gênio e adoro toda a psicologia que ela vai revelando sobre os supostos culpados e as razões de descartá-los ou não da investigação. Uma coisa que gostei muito nesse segundo volume, foi o equilíbrio dos personagens. Se no primeiro o brilhantismo de Jéssica deixava Logan em um patamar mais baixo, justamente por ele cometer tantos erros devido sua teimosia e ela estar sempre certa, nesse segundo há erros e acertos distribuídos igualmente entre os dois, o que acaba por nivelar os dois personagens e fazer com que as idéias de um e de outro se complementem e se completem.

Quanto ao enredo, AUBENQUE se superou! Foi divino e perfeito! Passei boa parte da investigação achando que as mortes estavam acontecendo por um determinado motivo e sequer consegui supor outra razão para elas estarem sendo cometidas. Enquanto esse foi o enfoque maior no começo da trama, como subtrama fui novamente levada a universidade de River Falls, o que a princípio me deu certo desgosto, pois o autor já havia explorado a universidade no livro anterior. Porém, conforme as páginas foram seguindo, vi que algo completamente diferente se mostrava ali. Contudo, ainda assim não conseguia imaginar qualquer tipo de relação entre os personagens abordados nesse ambiente universitário e os mortos que foram aparecendo pelo caminho. Passei então a ler com a certeza de que haveria uma conexão ao final, pois nenhum autor de policial explora dois caminhos tão difusos se não for para fazer uma ligação, mas, com assuntos como disfunções alimentares envolvendo a parte da universidade, e corrupção envolvendo os importantes da cidade, parei de bancar a detetive e simplesmente resolvi me deliciar com cada linha que AUBENQUE apresentava.

Quando já havia me dado por satisfeita com esses paralelos apresentados, AUBENQUE inseriu uma pequena, mas importantíssima trama a esse conjunto, fazendo com que minha curiosidade alcançasse o ápice. Depois disso, não demorou muito para que o enredo fosse tomando forma e eu passasse a compreender todas as situações que envolviam as mortes dos imponentes membros da sociedade de River Falls. E essa foi uma das melhores partes, pois o autor não ficou rodeando nem tentando enganar o leitor, pelo contrário, ele deu as pistas corretas e quando chegou à explicação, (mesmo já a tendo desvendado), conseguiu torná-la soberba e interessante. As razões, motivações, tudo foi bastante intenso. E se por um lado o autor não revelou surpresa alguma nessa questão, não deixou de mostrar que tinha uma carta na manga para surpreender o leitor quanto à maldade presente em outro personagem. Obviamente, durante todo o enredo AUBENQUE caprichou quando falou desse ser, não tentando esconder seus desvios de caráter e a maldade intrínseca dentro de si, mas foi só ao final que ele mostrou ao leitor o quão monstruoso era o personagem e o que ele realmente era. Foi fascinante acompanhar.

Simplesmente adorei UM OUTONO EM RIVER FALLS. Achei que AUBENQUE cresceu muito nesse segundo livro, explorou muito melhor as vertentes que tomou como base para construir sua história, deu mais traços e mais personalidade a seus personagens e terminou com um segundo volume espetacular! Se esperei UM OUTONO EM RIVER FALLS por curiosidade, é com ansiedade e desespero que espero pelo terceiro. É maravilhoso poder sentir que um autor vai crescendo e evoluindo conforme a série vai seguindo, e tenho certeza que algo grandioso nos espera no fechamento dessa trilogia. Livro 5 estrelas e favoritado!




15 de maio de 2014

RESENHA: ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL - Claude Izner (Ed. Vestígio)



Oi, gente!

Vocês sabem que adoro policiais, e claro que não posso deixar passar uma semana em branco sem resenha do gênero. Por isso, hoje vou falar sobre um dos novos lançamentos da VESTÍGIO: ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL, escrito pelas irmãs Liliane Korb e Laurence Lafèvre, mas que assinam com o pseudônimo de CLAUDE IZNER.

Assassinato na Torre EiffelASSASSINATO NA TORRE EIFFEL
CLAUDE IZNER
Série: Victor Legris (vol. 1)
Editora: VESTÍGIO              
Ano: 2014                  
Nº págs: 256
Gênero: Policial, Suspense Histórico

SINOPSE: Como inúmeros visitantes do mundo inteiro, Victor Legris, livreiro da rua dos Saints-Pères, está a caminho da Exposição Universal, onde a torre Eiffel, recentemente inaugurada, é a verdadeira estrela. Nesse início de verão de 1889, os parisienses têm dificuldade para circular na multidão aglutinada entre as barracas coloridas, nos corredores invadidos por riquixás chineses e adestradores egípcios. No primeiro andar da torre, Victor vai se encontrar com Kenji Mori, seu sócio, e seu amigo Marius Bonnet, que acaba de lançar um novo jornal, o Passe-Partout. Mas o encontro é subitamente interrompido: uma mulher acaba de morrer, vítima de uma estranha picada. A partir daí, tem lugar uma série de mortes inexplicadas que vão marcar a vida de Victor Legris como investigador e fazer você mergulhar na capital dos impressionistas.

Alguns de vocês devem saber que uma de minhas metas é acompanhar todos os lançamentos da VESTÍGIO, e até agora estou conseguindo \o/ ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL é o oitavo livro que li da editora e fiquei bastante satisfeita com algumas partes, outras nem tanto.

A primeira coisa a saber sobre ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL é que ele é um suspense histórico, logo, somos transportados à uma viagem no tempo, mais precisamente à Paris dos anos 1889. É nesse cenário encantador que vamos acompanhar Victor Legris, livreiro de profissão, “encarnar” o detetive. Mas a investigação não será fácil, afinal, as mortes são, aparentemente, causadas por picadas de abelhas.

Ao iniciar o livro, percebi que ele tinha um ritmo mais lento do que a grande maioria dos romances policiais, contudo, isso não diminuiu o prazer da leitura, pelo contrário, as autoras expuseram de forma tão minuciosa a Paris daquela época que me senti transportada a uma verdadeira e significativa aula de História, com passagens que se quer aprendi em minha época de escola ou que foram por mim esquecidas. Mergulhando nesse mote histórico, tenho que confessar que me perdi da investigação e não achei lá aquelas coisas, isso porque estava muito mais entusiasmada com os aspectos históricos abordados no livro.

Não bastando já termos uma verdadeira aula, fui ficando cada vez mais fascinada ao ver que as autoras também abordaram a História da Arte nas páginas do livro. Estudei a matéria na faculdade e foi um imenso prazer relembrar artistas já esquecidos, apesar de extremamente famosos. Como disse, essas partes foram tão interessantes que esqueci completamente estar diante de um livro de suspense, e quando o enredo passou a verter para o desdobramento dos fatos e revelações policiais, já não havia interesse em mim em seguir por essa veia. Sim, deixei-me levar por um período histórico extremamente bem retratado e esqueci que o foco principal do livro era uma investigação. Mas com jornais desnudando fatos, a censura batendo à porta, exposições sendo detalhadas, livros raros e clássicos sendo comentados, e vidas de pintores consagrados sendo pormenorizadas, quem disse que conseguia lembrar que havia uma investigação? E deveria lembrar, mesmo porque um dos principais personagens é suspeitíssimo, mas, infelizmente, nem ele com seus segredos, nem Victor com sua astúcia, conseguiram me prender na perseguição. Além do excelente enredo histórico, culpo também a forma das mortes pelo meu desinteresse investigativo, talvez se elas fossem brutais, cheias de sangues, com partes espalhadas aqui e ali, eu tivesse me lembrado mais delas, dado mais importância, mas como elas aconteciam rapidamente e através de uma picadinha, sinto muito, mas não deu, tinha muita história parisiense para acompanhar e releguei o principal do livro, pois simplesmente não conseguia achar tão interessante quanto o cenário apresentado.


Explico as três estrelas da nota ao fato de ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL ser um livro policial, mas não ter conseguido manter meu interesse em seu foco. Porém, como aula de História, nota 5 seria pouco. Para quem gosta de históricos, não pode perder.


18 de março de 2014

RESENHA: OS SETE CRIMES DE ROMA - Guillaume Prévost (Ed. Vestígio)



Oi, pessoal!

Vamos para mais uma resenha policial?

Quem acompanha o blog sabe que uma de minhas metas para 2014 é ler todos os livros lançados pelo selo VERTIGO, que agora mudou para VESTÍGIO. Estou felicíssima, pois estou quase chegando ao fim da meta \o/. Hoje vou falar sobre OS SETE CRIMES DE ROMA, do GUILLAUME PRÉVOST, o sexto livro que li do selo.

OS SETE CRIMES DE ROMA
GUILLAUME PRÉVOST
Editora: VESTÍGIO          
Ano: 2013                  
Nº págs: 256
Gênero: Policial, Suspense Histórico

SINOPSE: Roma, dezembro de 1514. A poucos dias do Natal, o corpo decapitado de um jovem é descoberto em cima da estátua do imperador Marco Aurélio. Uma inscrição feita com sangue assina o crime: "Eum qui peccat " ("Aquele que peca"). Pouco tempo depois, é a vez de um velho ser encontrado, morto e nu, pendurado numa escada no Fórum. A Coluna de Trajano revela seu fúnebre segredo e o restante da inscrição: "Deus castigat " ("Deus castiga"). A sangrenta encenação está apenas começando. Instalado há pouco no Vaticano, ocupado com seus trabalhos de anatomia, pintura e ótica, Leonardo da Vinci se apaixona pelo caso. Como interpretar os lúgubres detalhes que cercam os crimes? O papa e a cristandade estariam sendo desafiados? Com a ajuda de Guido, um jovem estudante de Medicina, o pintor tenta desmascarar um assassino que demonstra tanto inteligência em desorientar as investigações quanto crueldade em executar suas vítimas. Um romance policial diabólico que, dos mistérios da biblioteca do Vaticano aos segredos das ruínas antigas, nos arrebata num jogo de pistas eletrizante, erudito e macabro. 

Preciso ser sincera com vocês e dizer que, pelo título, esse foi o livro da editora que mais despertou meu interesse. ADORO tudo que é histórico. Quando o suspense é histórico então, nem se fala, aquela pegada DAN BROWN vem à minha mente e me fascina completamente <3. Ao ver o nome de da Vinci na capa, fui a loucura! Esperei muito para ter o prazer dessa leitura, mas, no fim, não foi tudo isso.

Alguns pontos gostei imensamente, como o fato de ser um Suspense Histórico. O autor, que é professor de História, soube nos inserir MUITO bem na realidade do século XVI. A caracterização dos personagens, o ambiente, as festas, roupas, ruas, casas, etc, todas essas descrições de fato nos levaram a uma viagem no tempo.

Da Vinci foi um personagem que ele descreveu de forma apaixonante. Intelectual, inteligente, um sábio. O personagem domina tudo: o mundo da arte, das invenções, das construções, dos estudos filosóficos, médicos e muitos outros. É um verdadeiro gênio que nos coloca no encalço do assassino.

Os assassinatos também foram incríveis. Se GUILLAUME não foi muito hábil ao escolher o culpado, que achei meio óbvio e já tinha desconfiado desde o começo, foi completamente inteligente ao descrever as cenas do crime e os corpos. Acredito que forte e chocante sejam palavras que definem bem os crimes. Extremamente detalhados, bem elaborados, e descritos até de forma cruel.

Mas o que me levou a dar apenas 3 estrelas para o livro foram três fatores: o protagonista, a investigação, e o ritmo da narrativa.

Desde o princípio pensei que o livro seria narrado por da Vinci, o que foi um erro, pois este figura como personagem. OS SETE CRIMES DE ROMA, é, na verdade, narrado por Guido, um médico apaixonado por resolver mistérios. Seu pai havia sido um homem da lei, mas já tinha falecido, por temer pela vida do filho, a mãe de Guido não quis ele na profissão de policial, então o rapaz fez medicina, mas isso não foi suficiente para afastá-lo da resolução de mistérios. Apesar de o autor trabalhar bem na imagem de Guido, ele não me agradou. Sua história de vida e sua paixão por mistérios não foram suficientes para que o personagem me cativasse, e, junto a isso, não consegui me convencer quanto à investigação. Apesar de ter adorado as mortes e achar que o assassino cumpriu seu papel na obra, a investigação e os achismos de Guido não me convenceram, fazendo parecer bastante inverossímil os avanços do personagem.

Outro ponto que me desapontou foi o ritmo de leitura. Com Vaticano, da Vinci, e uma excelente forma de narrar assassinatos em mãos, pensei que a leitura teria um ritmo frenético, dessas que só conseguimos largar o livro quando terminamos, mas a verdade é que, apesar de vários pontos positivos, a leitura foi mais lenta, mais arrastada, e nesse caso isso não me agradou, pois algumas vezes senti que dávamos voltas sem sair do lugar.


Considerei OS SETE CRIMES DE ROMA um bom livro e bastante interessante, gostei de tê-lo lido e aproveitei a leitura, mas, por conta dos pontos que citei acima não consegui elevar a quantidade de estrelas. De todo jeito, recomendo para os fãs de policial ;) só não vão com sede ao pote pensando que vão achar algo como Dan Brown. 


28 de fevereiro de 2014

RESENHA: VESTIDO DE NOIVO - Pierre Lemaitre (Ed. Vertigo)



Oi, gente!

Na semana passada recebi vários livros policiais, por isso até agora só tivemos resenha desse gênero. Hoje não vai ser diferente. Vou falar sobre VESTIDO DE NOIVO, do PIERRE LEMAITRE, lançado pela VERTIGO. Esse foi o 5º livro da editora que li, e, ao contrário dos outros quatro, que achei o máximo, considerei VESTIDO DE NOIVO bem mediano.

Vestido de NoivoVESTIDO DE NOIVO
PIERRE LEMAITRE
Editora: VERTIGO                                 
Ano: 2013                 
Nº págs: 272
Gênero: Thriller

SINOPSE: Sophie, uma jovem mulher que leva uma vida pacata, começa a cair lentamente na loucura: milhares de pequenos e inquietantes sinais se acumulam e, de repente, tudo se acelera. Seria ela a responsável pela morta da sua sogra, do seu marido enfermo? Pouco a pouco ela se encontra envolvida em vários assassinatos, dos quais ela não tem a menor lembrança. Então, desesperada, porém lúcida, ela organiza sua fuga, muda de nome, de vida, se casa, mas o seu terrível passado a alcança. As sombras de Hitchcock e de Brian de Palma pairam sobre esse thriller diabólico.


A realidade é que VESTIDO DE NOIVO não é propriamente um livro policial, e sim um thriller psicológico. Vendo por esse lado, o livro cumpre sua completa função: a de nos deixar tensos durante a leitura e de mexer com nossos nervos. Contudo, como muitos de vocês sabem, minha preferência pelo gênero é maior quando em seu enredo temos uma perseguição policial, pistas, suspeitos, etc, o que não existe em VESTIDO DE NOIVO.

A história começa com Sophie. Em uma narrativa feita em terceira pessoa, vamos conhecendo o presente da moça, seu passado e os corpos que ela supostamente foi deixando para trás: marido e sogra. Ficamos sabendo mais sobre seu atual trabalho como babá, e as razões de ela se achar louca, uma delas: não se lembra de ter cometido os crimes, mas também existe muita coisa de que ela não se lembra.

No início o enredo me pegou de jeito. A paranoia de Sophie é evidente e não há dúvidas de que existe algo, ou alguém mais, relacionado aos crimes. A própria sinopse deixa isso claro. Porém, com o passar das páginas, Sophie foi me irritando de forma descomunal. Após o garotinho de quem ela toma conta ser assassinado e tudo apontar para ela, a personagem começa a fugir e se esconder, ao mesmo tempo em que fica em dúvida se foi ela, se é louca, se tem algum problema na cabeça, etc. A insistência dela em ficar acreditando que fosse louca me irritou profundamente. Primeiro, porque louco nunca assume que é louco, segundo, se ela assim se achasse, deveria procurar tratamento, principalmente quando o marido faleceu, coisa que a personagem não fez.

O começo tão promissor passou a me deixar ainda mais desgostosa com a leitura quando vi que não entrava em cena uma investigação. Ok, sei que é um thriller psicológico, sei que foi intenção do autor, mas, poxa vida, a única coisa que aparece de investigação são pequenos trechos que esporadicamente Sophie lê nos jornais com notícias sobre os crimes que cometeu, que vão aumentando cada vez mais. Até podia achar isso normal, não fosse a criança assassinada filho de duas pessoas famosas e influentes, e, por conta disso, por mais que fosse a intenção do autor, senti falta de uma linha investigativa e ponto.

Sophie já tinha atingido os limites de minha paciência quando finalmente é interrompida e temos o diário de um outro personagem, dessa vez contado em primeira pessoa. O que ele está fazendo naquelas páginas e em seus relatos é óbvio, mais uma vez comecei ler com grande empolgação e acabei achando enfadonho no meio, pois parecia que o personagem enrolava demais para contar algo que já sabíamos. Todavia, o fim dessa parte me surpreendeu imensamente. Quando o personagem revelou seu nome, fiquei Oo! (“putz, que massa!”). E foi só a partir daí que passei a achar o livro interessante. Isso aconteceu na página 182, em um livro de 268, ou seja, exigiu muita paciência de minha parte.

Mas, acabada essa ladainha, VESTIDO DE NOIVO tomou novo rumo. Mesmo não tendo uma investigação, Sophie pareceu acordar e virar uma heroína de verdade. Dessas dignas de chamarmos de mocinha “foda”, pois a tal investigação ficou por sua própria conta e risco. Foi aí que a personagem cresceu e se tornou enorme no livro, uma personagem brilhante e fascinante, não uma mocinha meio mosca morta que era o que vinha aparentando ser na parte inicial do livro. De repente Sophie arregaçou as mangas, mostrou-se uma mulher de brios e de inteligência incomum, e foi atrás não apenas de descobrir os mistérios que a estavam cercando, mas entrou num jogo de gato e rato disposta a tudo para sair vitoriosa, até mesmo arriscar a vida.


Depois de 182 páginas, VESTIDO DE NOIVO me surpreendeu de forma completamente gratificante e teve um final digníssimo! Além de ter adorado o final, passei a amar a escolha do título do livro, que não havia entendido até então. Mas, é óbvio que na hora de avaliar, não poderia deixar de lado que mais de 60% do livro me causou uma enorme irritação, e também não posso deixar de compará-lo com outros thrillers psicológicos que já li, e muito menos com outros títulos da editora, ao qual dois deles já entraram para meus favoritos, por isso, dei apenas 3 estrelas. 




21 de fevereiro de 2014

RESENHA: NA MENTE, O VENENO - Andrea H. Japp (Ed. Vertigo)



Oi, pessoal.

Vou terminar essa semana com a resenha de um livro policial incrível: NA MENTE, O VENENO, da ANDREA H. JAPP, lançado pela VERTIGO.

Como vocês sabem, a VERTIGO é um selo da AUTÊNTICA dedicado exclusivamente aos livros policiais, e, esse ano, estabeleci como meta ler todos os livros da editora. NA MENTE, O VENENO, foi o 4º livro do selo que li e fiquei maravilhada com cada linha.

Na Mente, O Veneno
NA MENTE, O VENENO

ANDREA H. JAPP
Editora: VERTIGO                                 
Ano: 2013                  
Nº págs: 272
Gênero: Policial, Suspense 

SINOPSE: Diane Silver é uma das melhores profilers do mundo e trabalha na base de Quantico no FBI. Caçar os serial killers é para ela uma questão pessoal: sua filha Leonor foi torturada e morta. Diane não consegue até hoje entender. Como Leonor, tão desconfiada, aceitou seguir seu assassino? Yves, um policial francês formado por ela em técnicas do profiler, é provavelmente o único amigo de Diane cujo carater difícil é notório. Ele a mantém informada sobre os crimes selvagens cometidos na França. Será que existe uma ligação entre esses assassinatos e aqueles cometidos no México ou em Nova York ? Entre esses casos internacionais, a caça ao assassino de prostitutas nas ruas de Boston e o assassinato de Leonor uma ligação começa pouco a pouco a aparecer. Diane vai abrir a caixa de Pandora, reconstituir o quebra-cabeça e chegar até o último predador. E não lhe importam as consequências.

Diane Silver é uma profiler do FBI bastante peculiar. Uma tragédia arrasou sua vida, tornando-a amarga e algumas vezes cruel, contudo, a desgraça a transformou em uma profissional formidável, brilhante e inteligentíssima.

A autora, ANDREA JAPP, vai contanto sobre o passado da protagonista através de flashbacks em momentos bastante oportunos, assim, quando pensamos que Diane é apenas uma grosseirona, percebemos que ela de fato tem motivos para ser como é. Um ponto marcante em sua personalidade é seu sarcasmo, dirigido a um superior abobalhado que tenta lhe puxar o tapete, justamente por isso, a mulher é mil vezes mais esperta que todos e está ligada a tudo.

NA MENTE, O VENENO traz dois matadores: o primeiro serial killer está interessado em matar prostitutas, e é incrível a forma como Silver analisa e forma sua personalidade através dos poucos vestígios deixados nas cenas do crime. O segundo serial é um personagem fantástico, ao qual não vou falar muito porque qualquer coisa pode ser um spoiler. Além de tentar descobrir o culpado pelo assassinato das prostitutas, Diane está tentando descobrir quem é o misterioso assassino que tem recursos suficientes para matar, e deixar sua marca na França, Estados Unidos e México.

Poderia ficar aqui horas e horas falando sobre o livro, afinal, além das merecidas 5 estrelas, entrou para meus favoritos, contudo, NA MENTE, O VENENO é um livro bastante difícil de se expor, pois qualquer pequeno detalhe pode entregar o ouro.

A realidade é que o brilhantismo e fascínio do livro ficam por conta da protagonista, não apenas por sua inteligência e astúcia, mas por sua forma de pensar. Enquanto muitos psicólogos forenses tentam dar uma desculpa para a personalidade dos assassinos seriais, Diane não se convence com os traumas vividos por eles, e, para ela, são apenas monstros que têm que ser tirados de circulação. O fato de a personagem não ficar com rodeios tentando justificar os atos dos criminosos foi algo que me encantou. Enquanto em muitas leituras vemos algum personagem, principalmente mocinhos, tentando debater ou justificar o psicológico transviado dos criminosos, Silver vai contra a maré e não tem intenção alguma de desvendar os mistérios das personalidades deles para compreendê-los, ela apenas quer saber como eles pensam para pegá-los.

O senso de justiça da profiler pode soar um tanto quanto peculiar para o leitor, mas foi o que mais me envolveu na trama, principalmente diante uma escolha que ela fez, que, por ter acompanhado sua dor, sofrimento e angústia, acabei por achar acertada a decisão. Contudo, após esta tomada, a própria personagem fica em dúvida se agiu corretamente. Sinceramente, espero que ela não volte atrás em sua escolha e mantenha sua posição, pois isso a tornará uma das mocinhas mais peculiares e interessantes que já tive o prazer de ler.

Quanto ao segundo serial killer, é bastante evidente e óbvia sua participação, e não creio que JAPP tenha se esforçado para escondê-lo, ao contrário, desde o início ela enche o leitor de pistas sobre sua personalidade e permite que facilmente o identifiquemos, o interessante no personagem são suas motivações, sua história de vida e seus por quês. Confesso: AMEI esse segundo assassino.

Além disso, em NA MENTE, O VENENO, JAPP também explora o mundo dos adolescentes psicóticos, e achei tudo o que foi apresentado sobre o tema muito interessante, pois ela não usa a forma de criação desses pequenos matadores como desculpa para sua personalidade agressiva e assassina. E mais, o aspecto da violência é hipoteticamente apontado como pertencente ao DNA, o que nos dá um estudo maravilhoso sobre o tema, porém, uma vez que não há especificações ou afirmações concretas, faz com que questionemos essa hereditariedade do gene da violência, principalmente quando conhecemos o passado das gerações anteriores que envolveram os jovens.

Boa parte do livro é centrada no aspecto psicológico dos assassinos (sim, existem mais que os 2 assassinos seriais), das vítimas e dos demais personagens pertencentes ao enredo. Fiquei em choque com a quantidade de vertentes que a autora conseguiu explorar em tão poucas páginas, o que mostra que o livro é extremamente dinâmico e que não há parada em suas páginas. A cada momento temos uma revelação ou um estudo da psique humana.

Sem dúvida, NA MENTE, O VENENO foi um dos melhores livros policiais que li. Repito: Diane Silver é A protagonista! Fiquei extremamente orgulhosa em encontrar uma mocinha que não teme expor suas opiniões, mesmo quando contrária a de seus superiores, mas principalmente, uma profissional que não se deixa levar pelo lado “humano” da coisa. Ela sabe como classificar esses seres, mostra claramente o que acha deles, e não nos põe em dúvida quanto ao que seria capaz de fazer com esses seriais, que em sua maioria são homens cruéis, com um lado sexual muito agressivo desenvolvido e capazes de infligir o mais terrível terror às suas vítimas, mesmo quando elas são crianças.


Se possível, teria dado 11 estrelas para NA MENTE, O VENENO e para Silver, que não teve medo algum de se expor completamente ao leitor, mesmo sabendo que algumas de suas opiniões e atitudes pudessem chocar ou nos posicionar contra suas crenças e filosofias de vida. Um livro PERFEITO em todos os aspectos.





4 de fevereiro de 2014

RESENHA: SETE DIAS EM RIVER FALLS - Alexis Aubenque (Ed. Vertigo)



Oi, pessoal.

Em um dos primeiros posts do ano falei sobre minhas metas para 2014, dentre elas, ler todos os livros lançados pelo selo VERTIGO. Ano passado vocês puderam conferir a resenha do excelente A FERA INTERIOR, na semana passada foi a vez de ESTAVA ESCRITO, e agora vou falar um pouquinho sobre SETE DIAS EM RIVER FALLS, do ALEXIS AUBENQUE.

Sete Dias em River FallsSETE DIAS EM RIVER FALLS
ALEXIS AUBENQUE
Editora: VERTIGO                                  
Ano: 2013                  
Nº págs: 352
Gênero: Policial

SINOPSE: Algumas garotas escondem terríveis segredos...Sarah Kent é uma estudante brilhante e leva uma vida tranquila em meio à elite da universidade de River Falls, uma cidadezinha perto das Rochosas, no estado norte-americano de Washington. Mas tudo muda numa manhã de primavera: Amy Paich e Lucy Barton, as duas melhores amigas de Sarah em sua cidade natal, são encontradas no fundo de um lago, terrivelmente mutiladas. As duas não falavam mais com Sarah, mas tinham mandado um estranho convite para a amiga dois dias antes dessa tragédia.A vida de Sarah se transforma num pesadelo. Seria ela a próxima vítima do assassino? A garota parece esconder um terrível segredo, como se um laço misterioso ainda a ligasse a Amy e Lucy... Mistérios que o xerife Mike Logan tentará resolver, com a ajuda de Jessica Hurley, sua ex-namorada e famosa profiler do FBI. Eles pensam estar na pista certa, mas seu adversário é perverso e os manipula com facilidade...

Quem acompanha o blog sabe o quanto amo livros policiais, mas SETE DIAS EM RIVER FALLS me dividiu bastante, pois em alguns momentos o livro mostrou-se excelente e em outros bastante fraco.

A narrativa do AUBENQUE é boa, me envolveu na medida certa e deu prazer em acompanhar os passos dos personagens. Contudo, a trama não me deixou com vontade de devorar o livro, ou desesperada para saber mais e mais. É um bom livro policial, mas não me senti extremamente instigada ou querendo desvendar o culpado. Acho que justamente por isso, por não ter morrido de curiosidade, o autor conseguiu me surpreender com os motivos do serial killer. A princípio, quando o assassino deus as caras, achei o personagem fraco e não conseguia imaginar seus propósitos, mas, uma vez revelado, tornou-se um ponto que realmente adorei no livro. O autor optou por mostrar os dois lados do vilão: ele enquanto pessoa cruel, e também como vítima de uma situação que desencadeou sua sede de vingança. Por ter explorado o lado monstruoso do personagem, o leitor acaba por ver no serial uma pessoa maldosa; mas acredito que SETE DIAS EM RIVER FALLS teria sido muito mais intenso se o personagem fosse mostrado apenas em seu lado vitimizado, pois, o motivo que o levou aos assassinatos deixaria o leitor em dúvida quanto enxergá-lo apenas como alguém ruim.

Outro ponto que me dividiu, e esse mais que todos, foram os personagens principais: o xerife, Mike, e a psicóloga forense do FBI, Jessica. Enquanto a personagem feminina parecia brilhar a cada página, com ideias inteligentes e interessantes, trazendo à tona toda a psicologia que envolvia os suspeitos e suas desconfianças em relação ao culpado, o xerife Mike parecia se apagar. Isso porque o personagem é tolo, muito seguro de si, não abre a mente para enxergar o que não quer ver, e é teimoso. É do tipo que acredita em algo e é preciso mover montanhas para dissuadi-lo de suas ideias. Achei o personagem fraco, enfadonho e bobo. A sorte é que Jessica compensa tudo isso, sendo uma personagem excelente e que com seu conhecimento acrescenta muito ao leitor.

O último ponto que me incomodou foi uma cena de perseguição. Achei muito elaborada para o pouco que o personagem exigia, pareceu que foi uma cena só para encher linguiça e tentar inserir mais mistérios na trama, mas, que não surtiu o efeito desejado.

Tirando esses detalhes que me incomodaram, gostei de SETE DIAS EM RIVER FALLS. O enredo foi bem elaborado e diferente. Apesar de parte se passar em uma universidade e de algumas vezes termos a sensação de estarmos vendo aqueles filmes de adolescentes que vão sendo assassinados, as razões para as mortes foram bem elaboradas e interessantes, me surpreenderam bastante, pois fiz várias conjecturas dos motivos pelos quais o assassino tinha escolhido as duas moças, mas não imaginei que teria um desenvolver tão bom.

Uma coisa que amei (e não me chamem de sádica, plix) foi o detalhamento do estado dos corpos. AUBENQUE descreveu de forma bastante real e chocante como se encontravam os corpos das vítimas, causando até certa revolta no leitor ao ler algumas situações a que foram submetidas.

As vítimas também são um ponto forte do livro. Se a início são tratadas como duas pobres jovens assassinadas, com o decorrer dos depoimentos começamos a conhecer a verdadeira personalidade e caráter delas. Simplesmente ADORO quando as vítimas não são santificadas pela morte.


Como disse, SETE DIAS EM RIVER FALLS é um bom livro. Pecou em algumas partes, mas brilhou em outras, foi por a leitura ter me dividido tanto que dei apenas 3 estrelas. Contudo, o livro faz parte de uma trilogia, o que, por ser livro policial, não sei o que esperar. Não sei se é considerado uma trilogia por se passar em River Falls ou se por ter os mesmos detetives, ou ainda se terá o mesmo mote com a inserção de novos personagens. O jeito é aguardar para ver. Com certeza irei conferir como AUBENQUE vai se sair no próximo livro.