Oi, gente!
Vou começar a
semana com a resenha de um livro que aguardei com muita curiosidade: UM OUTONO EM RIVER FALLS do ALEXIS AUBENQUE, lançado pela VESTÍGIO.
ALEXIS AUBENQUE
Série: River Falls (é bom ler na ordem)
Editora: VESTÍGIO
Nº págs: 416
Gênero: Policial, Suspense
SINOPSE: Nesse início de outono, dois assassinatos
cometidos um após o outro vêm perturbar a relativa tranquilidade de River
Falls, que começava a se restabelecer da sórdida sequência de crimes de alguns
meses antes. O primeiro assassinato causa estardalhaço: Robert Gordon, um
advogado brilhante, conhecido por sua filantropia, é encontrado eletrocutado na
banheira de sua luxuosa mansão em Golden Hill, o bairro rico da cidade. Tudo
indica que o assassino tentou disfarçar o crime em suicídio, mas de maneira
descuidada. No mesmo dia, o corpo de um mendigo, coberto de hematomas e
encontrado no rio, chega ao necrotério, sem causar maior comoção. A priori,
nenhuma ligação entre os dois casos. O xerife Mike Logan, com a ajuda de sua
companheira, a célebre profiler Jessica Hurley, terá de elucidar os
assassinatos.Tem início um inquietante mergulho nas regiões obscuras da alma
humana que revelará segredos devastadores.
UM OUTONO EM RIVER FALLS faz parte de uma
trilogia. O primeiro livro, SETE DIAS EM
RIVER FALLS, me dividiu bastante, pois em alguns momentos encontrei uma
narrativa excelente e em outros encontrei situações bastante fracas. Mas, o que
mais havia me incomodado no livro era o xerife Mike Logan. Mike se mostrou o
tipo de personagem inflexível, que não aceitava opiniões, mesmo dos mais
experientes, e que usava apenas de sua metodologia para desvendar o crime, com
isso, acabava sempre estando atrasado e alguns passos atrás.
Apesar de ter dado
apenas 3 estrelas para o primeiro livro, estava bem curiosa para ver o que AUBENQUE teria preparado no segundo e
como Logan se sairia nessa sequência, e fui completamente surpreendida por uma
narrativa de tirar o fôlego e um Mike mais maleável.
Em UM OUTONO EM RIVER FALLS, o xerife
parece ter aprendido ouvir mais, palpitar menos e procurar olhar para todas as
linhas investigativas, sem querer que suas opiniões ou achismos prevaleçam. Já Jéssica, a profiler do FBI, continua impressionante
e fenomenal. A mulher é um gênio e adoro toda a psicologia que ela vai
revelando sobre os supostos culpados e as razões de descartá-los ou não da
investigação. Uma coisa que gostei muito nesse segundo volume, foi o equilíbrio
dos personagens. Se no primeiro o brilhantismo de Jéssica deixava Logan em um
patamar mais baixo, justamente por ele cometer tantos erros devido sua teimosia
e ela estar sempre certa, nesse segundo há erros e acertos distribuídos
igualmente entre os dois, o que acaba por nivelar os dois personagens e fazer
com que as idéias de um e de outro se complementem e se completem.
Quanto ao enredo, AUBENQUE se superou! Foi divino e
perfeito! Passei boa parte da investigação achando que as mortes estavam acontecendo
por um determinado motivo e sequer consegui supor outra razão para elas
estarem sendo cometidas. Enquanto esse foi o enfoque maior no começo da trama,
como subtrama fui novamente levada a universidade de River Falls, o que a
princípio me deu certo desgosto, pois o autor já havia explorado a universidade
no livro anterior. Porém, conforme as páginas foram seguindo, vi que algo
completamente diferente se mostrava ali. Contudo, ainda assim não conseguia
imaginar qualquer tipo de relação entre os personagens abordados nesse ambiente
universitário e os mortos que foram aparecendo pelo caminho. Passei então a ler
com a certeza de que haveria uma conexão ao final, pois nenhum autor de
policial explora dois caminhos tão difusos se não for para fazer uma ligação,
mas, com assuntos como disfunções alimentares envolvendo a parte da
universidade, e corrupção envolvendo os importantes da cidade, parei de bancar
a detetive e simplesmente resolvi me deliciar com cada linha que AUBENQUE apresentava.
Quando já havia me
dado por satisfeita com esses paralelos apresentados, AUBENQUE inseriu uma pequena, mas importantíssima trama a esse
conjunto, fazendo com que minha curiosidade alcançasse o ápice. Depois disso,
não demorou muito para que o enredo fosse tomando forma e eu passasse a
compreender todas as situações que envolviam as mortes dos imponentes membros
da sociedade de River Falls. E essa foi uma das melhores partes, pois o autor
não ficou rodeando nem tentando enganar o leitor, pelo contrário, ele deu as
pistas corretas e quando chegou à explicação, (mesmo já a tendo desvendado),
conseguiu torná-la soberba e interessante. As razões, motivações, tudo foi
bastante intenso. E se por um lado o autor não revelou surpresa alguma nessa
questão, não deixou de mostrar que tinha uma carta na manga para surpreender o
leitor quanto à maldade presente em outro personagem. Obviamente, durante todo
o enredo AUBENQUE caprichou quando
falou desse ser, não tentando esconder seus desvios de caráter e a
maldade intrínseca dentro de si, mas foi só ao final que ele mostrou ao
leitor o quão monstruoso era o personagem e o que ele realmente era. Foi
fascinante acompanhar.
Simplesmente
adorei UM OUTONO EM RIVER FALLS.
Achei que AUBENQUE cresceu muito
nesse segundo livro, explorou muito melhor as vertentes que tomou como base
para construir sua história, deu mais traços e mais personalidade a seus
personagens e terminou com um segundo volume espetacular! Se esperei UM OUTONO EM RIVER FALLS por
curiosidade, é com ansiedade e desespero que espero pelo terceiro. É
maravilhoso poder sentir que um autor vai crescendo e evoluindo conforme a
série vai seguindo, e tenho certeza que algo grandioso nos espera no fechamento
dessa trilogia. Livro 5 estrelas e favoritado!








