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26 de junho de 2015

RESENHA: JUVENTUDE BRUTAL - Anthony Breznican (Ed. Pavana)



Boa tarde, pessoal.

Confiram agora o que achei de JUVENTUDE BRUTAL do ANTHONY BREZNICAN, lançado pelo selo PAVANA.

Juventude brutalJUVENTUDE BRUTAL
ANTHONY BREZNICAN
Editora: PAVANA              
Ano: 2015
Nº págs: 496
Gênero: Drama

SINOPSE: Quando Peter Davidek é matriculado na escola católica St. Michael, a escola já colhe a reputação de ter se transformado em depósito de delinquentes e abrigo de religiosos estridentes. Em seu primeiro dia de aula, as tensões explodem: um aluno perde a cabeça e desfere um ataque violento contra os colegas que o atormentavam e contra os professores, que sempre assistiam a tudo sem tomar nenhuma providência. Nesse ambiente desesperador, Davidek se torna amigo dos também calouros Noah Stein, um garoto instável que leva no rosto as cicatrizes de um passado difícil, e Lorelei Paskal, uma menina linda e solitária que, empenhada em se tornar popular, só consegue fazer inimigos. Para conseguir sobreviver ao primeiro ano na escola, o trio junta forças contra a cultura do bullying perpetuada por funcionários como a amarga srta. Bromine e o padre Mercedes, que usa os alunos como bode expiatório para desviar dinheiro da igreja. 

Fique interessada por JUVENTUDE BRUTAL quando vi que mestre KING estava elogiando o livro. Sou daquelas que se o homem elogia, corro para ler. E não seria agora que faria diferente. Contudo, nem minhas palavras, nem as de KING e nem as de ninguém, serão suficientes para expor o quão maravilhoso e significativo esse livro é.

Sabem aqueles livros que nos acertam em cheio, nos devoram a alma, mas simplesmente não sabemos descrever tudo que ele causou e quão bom eles são? Pois é, JUVENTUDE BRUTAL está nessa classificação. Acredito que por falar de bullying muita gente já saiba que estará frente a um livro intenso, mas ele é muito mais que um livro sobre bullying, é um livro sobre as diversas facetas dos adolescentes, desde aqueles inocentes até os mais maldosos. 

Não sei quanto a vocês, mas já sofri bullying na escola, mas também já o pratiquei, só que na minha época de escola isso era normal. Quatro-olhos, ferrovia, e diversos outros apelidinhos eram dados, tanto a mim quanto a meus colegas, a diferença é que nós ríamos disso e nos chamávamos assim também, era uma “tiração” de sarro imensa, considerada como piada e brincadeira pela nossa turma, afinal, um quatro-olhos chamava o outro assim e tudo era risada, mesmo porque, a imensa maioria da turma estudou junto por quase 10 anos. Contudo, admito que o comportamento dos jovens de hoje vem me assustando bastante. Os apelidinhos tornaram-se muito mais ofensivos, o que fez com que as brincadeiras passassem a ser inconvenientes. E é nesse exato ponto que BREZNICAN se apega em seu JUVENTUDE BRUTAL. Ele não trata do bullying apenas como uma agressão verbal, mas também mostra a agressão física que a vítima sofre e o que isso pode desencadear dentro dela: os sentimentos ruins, a amargura, os traumas, a infelicidade, etc.

Achei o livro extremamente pesado e perturbador, principalmente porque o autor não se retrai na hora de expor o jovem, mas, apesar disso, encontra o tom certo para falar de cada premissa que explora. Por exemplo, o humor que ele usa é muitas vezes ácido, mas é sempre pertinente e nunca erra o momento de aparecer, afinal, trata-se de um livro sobre jovens, e não seria prudente nem normal ser sério a todo o momento.

Gostei muito da forma como o autor foi fazendo o assunto crescer no livro, como um simples apelido foi ganhando imensidão e como ele foi atingindo muitos ao redor, fazendo com que esses sofressem e também praticassem o bullying. Foi como se BREZNICAN quisesse mostrar que nenhum jovem tem uma faceta 100% inocente.

Mas se os jovens e suas atitudes, algumas vezes medonhas, me chocaram, foram os adultos que me perturbaram. Fiquei impressionada com a coragem de BREZNICAN de retratar professores malandros, grosseiros e praticantes de bullying, pois quando nos referimos ao tema, imediatamente pensamos nos jovens, não imaginamos que os adultos, que lhes deviam servir de apoio, cometam tais atos, e fiquei impressionada em ver a forma como o autor desnudou esses personagens e fez com que eles saíssem do estereótipo de “cuidadores” para mostrá-los como autoridades que têm extremo prazer em humilhar seus discentes e usá-los em sua "guerrinha" de poder.

Quanto aos pais, ANTHONY optou por retratá-los da mesma forma, e isso fez com que a leitura fosse ainda mais significativa, pois foi possível ver que tudo era uma bola de neve, uma sequência de maus tratos que ia passando ao próximo, ao próximo e ao próximo. Muitas partes da leitura me fizeram refletir, e não foram poucas as que me perturbaram a ponto de dar uma pausa na leitura e tomar um ar para poder digerir tudo que estava lendo.

Mas isso não é tudo o que o livro mostra. JUVENTUDE BRUTAL também zela pelo valor da amizade, e achei que esse foi um excelente contraponto que o autor explorou. Foi gratificante ver que em meio a uma situação terrível, amizades verdadeiras se formaram e que os envolvidos estavam dispostos a se sacrificar por ela.


Como disse, foi uma leitura bastante tensa e intensa, daquelas que as pessoas da minha geração vão ver o quanto os apelidinhos, tão engraçados em nossa época, evoluíram para algo tão destrutivo e letal. Parece que os jovens de hoje perderam seu norte, e na briga por chamar a atenção, vale a humilhação para aparecer. JUVENTUDE BRUTAL não faz nada além de expor a faceta nua e crua dos adolescentes que se valem da humilhação para poder se sobrepujar àqueles que consideram inferiores. Um livro cruel, porém, infelizmente, cheio de verdades. 


23 de maio de 2014

RESENHA: PARALELA - Lauren Miller (Ed. Pavana)



Olá, pessoal!

Hoje vou falar de um livro incrível, mas que foi uma leitura dificílima: PARALELA, da LAUREN MILLER, lançado pelo selo PAVANA.

Paralela  PARALELA
LAUREN MILLER
Editora: PAVANA       
Ano: 2014                  
Nº págs: 328 
Gênero: Sci Fi

SINOPSE: Abby Barnes tem um plano. Ela sabe o curso que vai fazer, a faculdade em que vai estudar e até o lugar onde vai trabalhar. Mas pequenas decisões podem mudar uma vida inteira, e, na véspera de seu aniversário, Abby está questionando suas escolhas. No dia seguinte, ela acorda num lugar completamente diferente, um ano mais velha, sem saber como tudo mudou da noite para o dia. A resposta é mais inesperada do que poderia imaginar: uma colisão de universos paralelos que a faz viver uma versão alternativa de si mesma. Com a ajuda da melhor amiga, Caitlin, e dividida entre dois caras que poderiam muito bem ser o amor de sua vida, Abby se depara com o desafio de redescobrir a si mesma enquanto lida com a confusão em que sua vida se transformou.

Quando PARALELA chegou, só conseguia pensar “mais um livro adolescente”, e não havia ficado interessada para ler, foi quando resolvi dar uma olhadinha na sinopse e fiquei encantada com a contra-capa do livro, por ela também ser invertida:


Sei que muita gente lê um livro pela capa, eu mesma já li vários, mas, nesse caso, posso culpar a contra-capa. Situação inédita que jamais pensei experimentar.

O livro aborda o tema do universo paralelo, e, por causa disso, muitas explicações científicas são dadas. Essas partes são um pouco confusas, e por diversas vezes voltei e reli as explicações, pois toda a Física envolvida foi bastante complicada e não conseguia compreender logo de cara a lógica por trás do fenômeno. Contudo, isso não afeta o ritmo frenético que o livro possui. Por mais que em alguns momentos tenhamos a sensação de estarmos sendo interrompidos durante os acontecimentos para termos alguns esclarecimentos (que são totalmente necessários), PARALELA não se torna tedioso ou morno, ao contrário, é como se um desespero crescente fosse tomando conta da gente conforme as páginas vão seguindo e conforme Abby passa a desvendar o que está acontecendo com ela e com as duas realidades que está vivendo: enquanto uma Abby vive o momento presente, a outra está um ano atrás, tomando decisões e tendo atitudes diferentes, que estão mudando a realidade presente de Abby e fazendo com que ela se surpreenda a cada novo dia com as diferentes situações que vai encontrando pelo caminho.

Embora eu não goste de romances adolescentes e sempre reclame deles, admito que o romance que acontece nas páginas de PARALELA me conquistou. Apesar da dificuldade de ficar indo e vindo nos dois universos, MILLER desenvolveu muito bem a história de amor, ou melhor dizendo, as histórias de amor que circundam a vida de Abby. É impossível ler PARALELA e não se sentir tão confusa quanto a personagem em relação aos assuntos do coração e aos acontecimentos que estão sempre afetando sua vida.

Mesmo tendo achado o livro meio confuso e ter ficado com a sensação de que “perdi alguma coisa”, adorei PARALELA. Achei a ideia da autora incrível, diferente e bastante surpreendente. A caracterização dos personagens foi bastante singular, pois só quando chegamos ao final é que os temos formados em toda sua essência, porque, durante a leitura, nenhum deles é exposto ao leitor de forma crua; é de forma gradativa, conforme Abby vai vivendo passado e presente, que vamos sabendo mais sobre cada um deles, seus comportamentos e histórias de vida. 

O final me deixou um pouco confusa e perdida, sem saber se o que tinha ali era sonho, realidade, devaneio, vislumbre do futuro, ou algum tipo de loucura. Porém, ainda que, algumas vezes, o enredo parecesse confuso, adorei PARALELA. É aquele tipo de livro que a cada página acrescenta mais informações sobre tudo e todos, e é exatamente por isso que se torna tão interessante. Nada é absoluto e tudo pode mudar com um virar de página. Um livro que todo mundo tem que ler para poder tirar as próprias conclusões e sentir os próprios nós serem criados na cabeça. Vale à pena!