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2 de maio de 2016

RESENHA: ADEUS, MINHA QUERIDA - Raymond Chandler (Ed. Alfaguara)



Olá, pessoas lindas!

Hoje vou falar de um autor que adoro: RAYMOND CHANDLER e o último livro dele relançado pela editora ALFAGUARA: ADEUS, MINHA QUERIDA.

Adeus, Minha QueridaADEUS, MINHA QUERIDA
RAYMOND CHANDLER
Editora: ALFAGUARA              
Ano: 2015
Nº págs: 312
Gênero: Policial

SINOPSE: Durante um caso de rotina, o detetive Philip Marlowe conhece “Moose” Malloy, o Alce, um brutamontes cruel recém-saído da prisão. Malloy está disposto a tudo para encontrar Velma, uma cantora de cabaré com quem mantivera uma relação. Em paralelo, o investigador se vê no meio de um caso de chantagem e assassinato, ligados ao roubo de um colar de jade. Entre videntes charlatões, milionárias insaciáveis e gângsteres implacáveis, as duas investigações aos poucos se unem numa trama só, entremeada de violência e corrupção, bem ao contrário das histórias policiais clássicas, em que o mordomo é quase sempre o culpado. “Não é esse tipo de história”, nos diz Marlowe. “Não é elegante e não é engenhosa. É sombria, e cheia de sangue.

Faz certo tempo que sou fã desse homem e mais tempo ainda que li esse livro, não apenas esse, mas todos os que ele já escreveu. Porém, foi com empolgação que recebi a reedição de seus livros pela ALFAGUARA, que vem fazendo um trabalho primoroso com suas obras e brindando o leitor com prefácios interessantíssimos e cartas finais escritas por CHANDLER que soam até mesmo melhor que o livro. Admito que me contorço de raiva do homem pelo seu esnobismo ao falar mal de autores policiais que amo, como AGATHA CHRISTIE, mas, ao mesmo tempo, sei respeitar seu ponto de vista e sua opinião, afinal, nessas críticas tão ferrenhas, muitas vezes ele soa tão cínico e áspero como seu grande detetive, Marlowe, o que torna impossível não amar CHANDLER, mesmo ele escangalhando alguns grandes autores.

Mas estou aqui para falar de ADEUS, MINHA QUERIDA, que foi um livro incrível, uma leitura deliciosa e um aprendizado soberbo sobre Marlowe, que considerava já saber tudo de sua personalidade pelos livros anteriores, mas aqui meio que descobri que ele sempre se mantém distante de rabos de saia, e não sei, dessa vez senti que não é apenas porque ele gosta de ser um lobo solitário, mas porque ele é medroso mesmo, hehehe. Bom, mas nosso herói teria de ter medo de algo, afinal, sua língua o mete em cada enrascada... E não o vemos sendo menos audacioso por isso ou por levar algumas pancadas, pelo contrário, ele sempre encara de frente qualquer coisa que o façam sentir e está sempre disposto a revidar. E é isso o que mais gosto no detetive, o fato de ele ser tão destemido a ponto de parecer não se importar com sua vida.

Confesso que, para mim, o melhor de ADEUS, MINHA QUERIDA, foi Marlowe. Já li livros do CHANDLER que quase tive um treco por considerar o enredo abismal de tão interessante, bem como os personagens, como foi o caso de A DAMA DO LAGO, porém, dessa vez, no que diz respeito ao enredo, fiquei um tantinho decepcionada, pois pareceu mais do mesmo. Fiquei incomodada por encontrar situações e personagens semelhantes a outros livros, mas fiquei mesmo aborrecida com alguns momentos de morosidade que encontrei durante a leitura, pois Chandler NUNCA é moroso, pelo contrário, os livros dele são devoráveis! Mas, mesmo assim, dei 5 estrelas. Dei 5 estrelas porque amo esse homem e porque mesmo tendo ficado entediada em alguns momentos, Marlowe garantiu (como sempre) um prazer completo, principalmente com seus diálogos, astúcia, audácia e cinismo, sua característica mais marcante e que mais me entusiasma.


CHANDLER é um mestre, seus livros são clássicos da literatura policial, não tem como não amar! Leiam! Mas leiam todos!


18 de fevereiro de 2016

INDICAÇÃO: 3 livros do Grupo COMPANHIA DAS LETRAS



Oi, pessoal!

Como estão?

Dei uma sumida essa semana para colocar minhas séries de TV em dia e para terminar os livros que já estavam começados há algumas semanas, mas hoje não poderia deixar de vir fazer um post de indicação, e vou falar sobre três livros incríveis do GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS que li e adorei.



A Revolução dos BichosA REVOLUÇÃO DOS BICHOS
GEORGE ORWELL
Editora: CIA DAS LETRAS              
Ano: 2007
Nº págs: 147
Gênero: Sci Fi

SINOPSE: Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, "A Revolução dos Bichos" é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A Revolução Dos Bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

Acredito que eu tenha sido uma das últimas pessoas a ler A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, mas quando o fiz o saboreei em cada momento. Não sei se quem já leu teve o mesmo pensamento que o meu, mas achei que ORWELL previu a situação brasileira “atual”. No livro temos os porcos lutando por seus companheiros, dizendo que são iguais a eles e que querem uma fazenda igualitária, sem privilégios e com os mesmos direitos e deveres para todos, não demora muito para os porcos colocarem as manguinhas de fora, deixarem os colegas trabalhando o dobro de antes e acharem que merecem diversos privilégios. É um jogo político através das palavras e da imposição. Não consegui ler o livro sem pensar em um certo sindicalista que lutou pelos companheiros, desejando a igualdade e nenhuma regalia, mas que hoje goza de fortuna e riqueza, conseguida com o suor dos companheiros que pagam impostos. Um livro BRILHANTE! Demorei a conferir, mas acho que o fiz no momento certo.



A Ilha do Dr. MoreauA ILHA DO DR. MOREAU
H.G. WELLS
Editora: ALFAGUARA              
Ano: 2012
Nº págs: 170
Gênero: Sci-Fi

SINOPSE: À deriva, sem esperanças de sobreviver em alto mar, Charles Prendick é resgatado por um navio em missão das mais incomuns: levar a uma pequena ilha no Pacífico algumas espécies de animais selvagens. Ainda debilitado, Prendick é obrigado a desembarcar na ilha junto com o carregamento. Lá, ele conhece a figura do dr. Moureau, um cientista que, exilado por suas pesquisas polêmicas na Inglaterra, realiza experimentos macabros com seus animais. Uma parábola sobre a teoria da evolução, também uma mordaz sátira social, "A ilha do dr. Moreau" é um romance que, mais de cem anos após sua publicação original, permanece com a mesma força da surpresa e do horror.

A ILHA DO DR. MOREAU foi mais um clássico que demorei a ler e fiquei um tanto quanto perturbada quando o fiz. Por alguma razão, tinha uma ideia completamente diferente sobre o enredo. Para mim, Moreau seria um vampiro disfarçado de médico. Acho que fiquei com isso em mente por causa da capa. Mas fiquei ASSOMBRADA e HORRORIZADA com a verdadeira natureza do doutor, com seus experimentos e a forma de enxergar e pensar sobre a vida. Sempre achei que esse seria um livro de terror com algo de sobrenatural, mas me deparei com o horror em sua forma mais pura: a possível, a real, a experimental. Quem tem curiosidade de conhecer, pode se jogar na leitura, que é rápida, dinâmica e ao mesmo tempo assombrosa. Sem dúvida um dos livros mais surpreendentes que li na vida! CHOQUE puro!



Causas Nada NaturaisCAUSAS NADA NATURAIS
P.D. JAMES
Editora: CIA DAS LETRAS
Ano: 2011
Nº págs: 280
Gênero: Policial, Suspense

SINOPSE: Adam Dalgliesh, o brilhante inspetor da Scotland Yard, resolve tirar uns dias de descanso após resolver um caso muito difícil, que mobilizou a opinião pública britânica. Além disso, seu relacionamento com a namorada chegou a um ponto que não permite mais adiamentos: ou eles se casam ou cada um seguirá o seu rumo. Assim, ele resolve se retirar para a casa da tia — sua única parente viva —, na pequena comunidade de Monksmere Head, na costa do Condado de Suffolk, região em que terra e mar parecem travar uma guerra há séculos. Mas o intuito de Dalgliesh é desfeito na manhã de sua chegada. Um grupo de habitantes locais, composto de escritores, dramaturgos e críticos literários, bate à sua porta para aconselhar-se sobre o desaparecimento de Maurice Seton, romancista policial de fama moderada que após o suicídio da mulher herdara uma fortuna avaliada em 200 mil libras. A secretária de Seton acabara de receber um manuscrito que dava todas as pistas de que alguém estava tentando se passar por ele. Mas, antes que o grupo vá embora, um inspetor da polícia local traz a notícia: Seton foi encontrado morto em um barco à deriva, com as mãos cortadas na altura do punho. Mesmo que a autópsia diga que foi uma morte por causas naturais, o entorno de Seton, que acumulou vários inimigos e cuja família se resume a um meio irmão distante, leva Dalgliesh a acreditar num crime premeditado e astuciosamente elaborado. Para solucioná-lo, precisará se dividir entre Londres e Monksmere, além de pôr em prática suas faculdades múltiplas: será um pouco psicólogo, um pouco filólogo e outro tanto historiador do crime.


CAUSAS NADA NATURAIS foi meu primeiro contato com a autora. Aqui temos um escritor de livros policiais que morre da mesma forma que a vítima do romance que estava escrevendo. A história é bem do tipo que gosto, um grupo de pessoas suspeitas e a narrativa girandp em torno de desvendar o passado e o psicológico dessas pessoas. Sim, eu compararia a autora a AGATHA CHRISTIE e colocaria as duas no mesmo nível de excelência, ao menos por esse meu primeiro contato. Não nego que o livro tem uma fonte terrível, que cansa os olhos durante a leitura, mas o enredo é tão instigante que é possível deixar isso de lado e concluir a leitura em uma só sentada. Além da morte do autor, temos também que solucionar o misterioso assassinato de um gatinho. O final, quando revela o criminoso, é até óbvio e sem surpresas, mas a carta que este deixa, explicando todos os motivos pelo qual cometeu o crime... Ah!, essa foi soberba!


Espero que vocês curtam as indicações de hoje ;)


21 de julho de 2015

RESENHA: O SONO ETERNO - Raymond Chandler (Ed. Alfaguara)



Muito boa tarde, pessoal!

De hoje até sexta teremos resenhas da ALFAGUARA e SUMA DE LETRAS. E já começo com chave de ouro, falando de um lançamento maravilhoso da ALFAGUARA: O SONO ETERNO do RAYMOND CHANDLER.

O Sono Eterno O SONO ETERNO
RAYMOND CHANDLER
Editora: ALFAGUARA              
Ano: 2015
Nº págs: 256
Gênero: Policial

SINOPSE: Philip Marlowe, detetive particular em Los Angeles, é chamado à mansão do velho General Sternwood para investigar um caso de chantagem, aparentemente banal, envolvendo uma de suas filhas. Em pouco tempo, Marlowe percebe que algo se esconde atrás desse pedido, e que as duas filhas do General, Vivian e Carmen Sternwood, podem ser mais perigosas do que aparentam. Em uma cidade chuvosa e enevoada, ele aos poucos se envolve com a pornografia ilegal e a máfia dos jogos. Nesta primeira aventura de Marlowe, publicada originalmente em 1939, Raymond Chandler deu nova vida ao romance policial, mesclando uma trama envolvente a um estilo inigualável — corrosivo, cômico e extremamente original.

No ano passado, a ALFAGUARA começou a relançar os livros desse grande autor policial e surpreendeu a todos pela qualidade dos livros. A coleção possui textura nas capas, páginas amarelas e fonte confortável, o que torna essa edição ainda mais especial. Fui a loucura com A DAMA DO LAGO e O LONGO ADEUS, este me surpreendendo muito pela enormidade da trama e pela quantidade de reviravoltas que apresentou. Além disso, ambos os livros trouxeram apêndices fantásticos, que permitiram ao leitor um contato mais próximo com o autor. Em O SONO ETERNO tudo isso foi repetido, o que me fez colocar essas edições dentre as minhas queridinhas. O que não se repetiu foi o tanto que gostei do livro.

Apesar de ter dado as mesmas 5 estrelas que nos dois livros anteriores, achei que em O SONO ETERNO faltou alguma coisa para dar um “tchans” na obra. Não sei dizer o que foi, pois Marlowe esteve fenomenalmente cínico nessa que foi sua primeira aparição na literatura. Talvez seja esse o motivo, O SONO ETERNO foi o primeiro livro do CHANDLER, e ao compará-lo com seus outros livros, foi perceptível o quanto ele cresceu e evoluiu, não apenas na elaboração do enredo, mas também em sua escrita. Achei o enredo de O SONO ETERNO um tanto quanto simplório e hollywoodiano, como se fosse algo de “gangue”, enquanto que os dois outros livros fizeram pairar um suspense maior.

Nesse livro, apesar de termos morte, ela não foi a questão principal a ser abordada e elucidada, como nos outros livros, aqui, chantagem, desaparecimento, jogatina e pornografia estiveram mais em voga e atraindo mais a atenção. E vocês sabem, o motivo de eu amar tanto os livros policiais são mesmo os corpos e as mortes elaboradas. Não que livros do gênero não abordem outros temas, mas a mim pareceu algo distante ver CHANDLER abordando o tema antes e agora optando por outra vertente. Apesar disso, O SONO ETERNO é sim FENOMENAL!

Pra começar, temos um general ricaço que se comporta como um mafioso a la Poderoso Chefão. A diferença é que o general possui duas filhas trambiqueiras, de reputação nada confiável, bastante atiradas, espertas e principalmente, cínicas, o que acaba sendo um prato cheio para o igualmente cínico Marlowe. Os momentos em que ele aparece na presença dessas filhas são os mais memoráveis do livro, com diálogos brilhantes e descrições tão fascinantes e reais que nos é possível imaginar os personagens e suas atitudes ali, a dois palmos de nossos narizes.

Acredito que a grandeza do personagem Marlowe não esteja apenas no fato de ele ser um bom detetive, mas sim na habilidade que ele tem para soltar sua lábia e na ferocidade com que conclui algumas questões. Ele é o tipo de cara que se joga nas descobertas e não se importa em sair com um ou outro machucado da investigação, afinal, um sujeito que não baixa a cabeça para ninguém e sempre tenta ser o espertinho, acaba mesmo levando uma ou outra “bordoada”.

Essa estréia de CHANDLER no mundo dos romances policiais foi aclamada em sua época e o é ainda hoje. Difícil um fã do gênero que tenha as obras do autor passadas despercebidas. Eu já conhecia alguns dos livros e tive um prazer imenso em reler A DAMA DO LAGO e O LONGO ADEUS, mas deveria ter me dedicado a fazer a leitura em ordem cronológica, pois O SONO ETERNO acabou parecendo “menor” diante desses dois gigantes, contudo, ainda assim é um livro brilhante; e se nos lembrarmos de que esse foi o primeiro, fica claro que O SONO ETERNO estava profetizando o nascimento de uma grande estrela, como de fato foi.


Agradeço a ALFAGUARA por essa coleção divina e só posso dizer aos fãs de livros policiais que CHANDLER merece um lugar especial na estante de vocês. Leiam!


19 de novembro de 2014

RESENHA + SORTEIO: CONSUMIDOS - David Cronenberg (Ed. Alfaguara)



Boa tarde, gentes!

E vamos seguir com nossa Semana Especial SUMA DE LETRAS / ALFAGUARA. Hoje trago mais um lançamento da ALFAGUARA para vocês: CONSUMIDOS, do cineasta DAVID CRONENBERG.

Consumidos CONSUMIDOS
DAVID CRONENBERG
Editora: ALFAGUARA              
Ano: 2014                  
Nº págs: 304
Gênero: Suspense

SINOPSE: Neste romance impactante, o cultuado cineasta David Cronenberg narra a história em paralelo de um casal de jornalistas, Naomi e Nathan, que, na busca constante por reportagens sensacionalistas, acabarão envolvidos numa conspiração global envolvendo sexo e morte. Os dois têm muitas coisas em comum. Além de amantes, são obcecados pela tecnologia, pela competição e por qualquer experiência que os faça escapar dos limites do cotidiano. Naomi investiga o assassinato, seguido de um suposto ato de canibalismo, de uma famosa filósofa francesa, Celéstine Arosteguy. O crime, que pode ter sido cometido por seu marido, o também filósofo Aristide Arosteguy, a assusta e a fascina. Já Nathan mergulha nos confins de Budapeste para fotografar um excêntrico cirurgião que trabalha nas margens da ética num método pouco ortodoxo de combate ao câncer. De Paris a Londres, do Canadá ao Japão, passando por hotéis de luxo, clínicas clandestinas e o próprio festival de Cannes, Cronenberg constrói uma narrativa intricada e envolvente, em que Nathan e Naomi aos poucos se dão conta de que estão perseguindo fios de uma mesma e perigosa trama, e talvez seja tarde demais para que um possa ajudar o outro. Consumidos é o ousado e polêmico livro de estreia de um dos diretores mais prestigiados da atualidade.

Fiquei bastante curiosa com CONSUMIDOS após ler a sinopse, e mais ainda ao ver que o livro era do CRONENBERG. Solicitei pensando que mergulharia em uma história policial fantástica e incrível, mas me enganei. Esse livro me deixou completamente “sei lá”.

Já no início senti vontade de abandonar a leitura, pois o autor fala MUITO sobre tecnologia, mas não de coisas interessantes ou bacanas, e sim de celulares, maquinas fotográficas, filmadoras, etc. Para mim, leiga no assunto, foi bastante irritante ver a fluidez da narrativa quebrada para se falar de objetivas, enquadramento, tipos de máquina, etc, etc, etc. Simplesmente achei que essas partes sufocaram a linearidade da obra, por isso, em muitas das passagens que essas explicações, a meu ver, desnecessárias, enchiam as linhas, acabei pulando-as.

O casal principal, louco pela tecnologia e que ficavam falando das lentes, máquinas, etc, também não me atraiu no início. Achei os dois bem arrogantes em suas áreas de atuação e extremamente pedantes quanto ao relacionamento. Mais que isso, em muitas partes tive a sensação de estar lendo um livro erótico, ou melhor, pornográfico. O que me levou a continuar a leitura foi o crime contra a filósofa, que além de assassinada teve suas partes comidas. Não lembrar de Hannibal Lecter aqui foi impossível, e foi o único motivo por ter continuado.

Durante algum tempo, agradeci por ter dado sequência na leitura. Por mais que a sensação de ler um erótico me incomodasse, de repente, me vi envolvida pelo mundo regado de sexo que CRONENBERG criou em CONSUMIDOS. Mais que isso, de uma hora para outra fiquei ávida e curiosa para saber mais sobre a vida a dois de Naomi e Nathan, tão curiosa que esqueci que tinha um crime que se desenvolvia e passei a prestar mais atenção ao casal, que mantém um tipo de relacionamento bem moderno e bastante estranho.

Não nego que algumas partes de ambos os personagens me deixaram bastante chocada e impressionada. A forma como eles enxergavam a vida e suas diversas ramificações foi bastante peculiar, e as situações de confronto e periculosidade a qual se envolveram me deixaram igualmente extasiada. Estava satisfeita por ter continuado a leitura, apesar de estar achando tudo muito doido. Porém, e infelizmente tem um porém, o enredo enviesou por um caminho que me desagradou totalmente! Se antes eu estava fascinada e curiosa, depois de um certo acontecimento senti como se tivesse brochado com a leitura. Passei a achar tanto Naomi como Nathan personagens boçais e vazios.

Cheguei a um momento na leitura em que os pensamentos, ideias e atitudes deles me incomodaram tanto que acabei por abandonar a leitura de CONSUMIDOS. Claro que o livro aborda questões interessantes, muitas até, e o lado filosófico, apresentado pela perspectiva de diversos olhares, é realmente fascinante, mas a “encheção” para falar de máquinas,  maquinários, suas características e usos, e a boçalidade dos protagonistas acabaram por me vencer e tive de desistir. 

Não sei se daria outra chance a CONSUMIDOS nem ao CRONENBERG como escritor, contudo, aqui está um livro que apesar da nota baixa que dei não posso dizer que “Recomendo” ou “Não Recomendo”. Consumidos é o tipo de leitura em que cada um tem uma opinião, por isso, deixo a decisão com vocês ;)



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18 de novembro de 2014

RESENHA + SORTEIO: O LONGO ADEUS - Raymond Chandler (Ed. Alfaguara)



Bom dia, pessoal!

Hoje darei continuidade à Semana Especial ALFAGUARA/ SUMA DE LETRAS, com mais uma resenha do RAYMOND CHANDLER. Dessa vez vou falar sobre O LONGO ADEUS, que também saiu pela ALFAGUARA.

O Longo AdeusO LONGO ADEUS (vol.6)
RAYMOND CHANDLER
Série: Phillip Marlowe
Editora: ALFAGUARA              
Ano: 2014                  
Nº págs: 400
Gênero: Policial

SINOPSE: Terry Lennox poderia ter a vida ganha. Ex-veterano de guerra, casou-se com a milionária Sylvia Potter e não precisaria mais se preocupar com nada desde que fechasse os olhos para a devassidão escancarada da mulher. Ele, no entanto, se afunda na bebida. É assim que Philip Marlowe o encontra caído, inconsciente , e a partir daí ambos criam um estranho laço de amizade. Quando Lennox lhe pede para fugir do país em circunstâncias misteriosas, Marlowe aceita ajudá-lo, mas aos poucos se vê enredado a uma elite poderosa e desajustada de escritores alcoólatras e mulheres fatais, que fará de tudo para encobrir os próprios crimes. Publicado em 1953, O longo adeus é a obra mais ousada e desafiadora de Raymond Chandler. É, nas palavras de Ricardo Piglia, talvez o melhor romance policial que já se escreveu.

Ontem falei um pouquinho sobre ADAMA DO LAGO, por isso hoje não vou repetir os diversos elogios que fiz a editora quanto à edição das obras do autor, mas digo que todos os bons comentários devem ser relembrados aqui.

O LONGO ADEUS é considerado o livro mais ambicioso e o melhor do autor. Concordo no quesito ambicioso, pois CHANDLER deixou seu enredo enorme, cheio de reviravoltas e coincidências forjadas, o que transformou a leitura em algo sublime. Quanto a ser o melhor, preciso ler os outros livros dele para afirmar tal fato com convicção.

Em O LONGO ADEUS foi bastante evidente o quanto a escrita do autor mudou, por vezes parecendo até mais poética, mas isso, claro, foi devido também aos personagens. Se em A DAMA DO LAGO o autor preocupou-se em nos apresentar uma história redondinha, sem tantos rodeios, em O LONGO ADEUS ele elaborou um enredo realmente complicado e inusitado, porém sempre condizente com sua preocupação em fazer parecer real. Em momento algum o autor criou situações mirabolantes para explicar essa ou aquela passagem, na realidade, foram os personagens que criaram histórias mirabolantes para escapar de um ou outro momento, e foi muito gratificante ver que foi possível reconhecer as situações impossíveis criadas pelos personagens, enquanto o autor se mantinha fiel ao que acreditava ser o principal na literatura policial: seguir com a história sempre em frente, de modo a fazê-la parecer verossímil, mesmo que não surpreenda. Contudo, se em A DAMA DO LAGO o autor seguiu esse seu pensamento e nos permitiu descobrir os fatos de sua história, em O LONGO ADEUS ele conseguiu surpreender mesmo que não fosse essa sua intenção inicial.

Mais uma vez, o leitor atento é capaz de descobrir o culpado ao prestar atenção nas dicas que o autor dá e nas conexões que ele faz, porém, ainda assim, ao final, ele traz a narrativa uma situação surpreendente que me fez ficar “Oo”, porque, por mais pistas que ele tenha fornecido, esse fato foi impensado por mim. Por isso, posso dizer que amei CHANDLER quando ele partilhou de sua opinião sobre a literatura policial (falei disso na resenha de ontem) e vi que pensávamos igual, ou seja, que a história deve ser possível e provável, mesmo que para isso o autor não surpreenda ao final; mas o amei ainda mais ao ver que ele, mesmo seguindo seus preceitos, conseguiu me deixar de boca aberta. Não com o culpado, mas com algo muito maior e muito mais interessante. O LONGO ADEUS é realmente um livro espetacular, que me deixou assoberbada com a grandiosidade do enredo, e, ao mesmo tempo, com a “simplicidade” do crime, do criminoso e suas motivações.

Para que não ficasse repetindo as mesmas coisas nas resenhas de ontem e de hoje, optei por falar de Phillip Marlowe apenas nessa segunda resenha. Marlowe é o detetive particular protagonista das histórias de CHANDLER, e que protagonista! O personagem é astuto, engraçado, inteligente, brilhante, convencido, arrogante, e muito, muito perspicaz. Em ambos os livros mostrou-se fiel aos seus instintos e disposto a tudo para descobrir a verdade dos casos em que trabalhou. Devido a sua grande coragem para enfrentar tudo e todos, ele está sempre levando uns sopapos, o que garante boas doses de humor, pois nem nessas situações ele perde a pose. Mas o mais gostoso de acompanhar em relação ao detetive é a “birra” que ele tem de policiais e o constante atrito que vive com eles. Os dois livros me deixaram bastante satisfeita em relação a essa convivência nada pacífica, principalmente porque adoro acompanhar a briga de egos entre os homens da lei.

O LONGO ADEUS torna-se bastante grandioso também por envolver figura$ pública$ importante$, o que sempre faz com que as histórias tenham reviravoltas surpreendentes e segredos obscuros, e CHANDLER desnuda cada tipo de segredo dessa sociedade privilegiada. De casos amorosos ao uso de drogas, o autor não poupa nada nem ninguém de seus problemas mais camuflados, e Marlowe não poupa nenhum dos personagens ao descobri-los e esfregá-los em suas caras.

Estou ansiosíssima por mais CHANDLER. Não veja a hora de 2015 chegar e com ele a ALFAGUARA trazer mais dois livros autor para nos deliciar. De novo tenho que terminar essa resenha dizendo que O LONGO ADEUS é recomendadíssimo! Leiam! <3


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Regras Gerais:

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