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3 de novembro de 2015

RESENHA: A IRMANDADE PERDIDA - Anne Fortier (Ed. Arqueiro)



Oi, gentes!

É com imensa felicidade que hoje vou falar sobre A IRMANDADE PERDIDA da ANNE FORTIER, lançado pela editora ARQUEIRO.

A Irmandade Perdida A IRMANDADE PERDIDA
ANNE FORTIER
Editora: ARQUEIRO              
Ano: 2015
Nº págs: 528
Gênero: Suspense, Suspense Histórico

SINOPSE: Diana Morgan é professora da renomada Universidade de Oxford. Especialista em mitologia grega, tem verdadeira obsessão pelo assunto desde a infância, quando sua excêntrica avó alegou ser uma amazona – e desapareceu sem deixar vestígios. No mundo acadêmico, a fixação de Diana pelas amazonas é motivo de piada, porém ela acaba recebendo uma oferta irrecusável de uma misteriosa instituição. Financiada pela Fundação Skolsky, a pesquisadora viaja para o norte da África, onde conhece Nick Barrán, um homem enigmático que a guia até um templo recém-encontrado, encoberto há 3 mil anos pela areia do deserto. Com a ajuda de um caderno deixado pela avó, Diana começa a decifrar as estranhas inscrições registradas no templo e logo encontra o nome de Mirina, a primeira rainha amazona. Na Idade do Bronze, ela atravessou o Mediterrâneo em uma tentativa heroica de libertar suas irmãs, sequestradas por piratas gregos. Seguindo os rastros dessas guerreiras, Diana e Nick se lançam em uma jornada em busca da verdade por trás do mito – algo capaz de mudar suas vidas, mas também de despertar a ganância de colecionadores de arte dispostos a tudo para pôr as mãos no lendário Tesouro das Amazonas. Entrelaçando passado e presente e percorrendo Inglaterra, Argélia, Grécia e as ruínas de Troia, A irmandade perdida é uma aventura apaixonante sobre duas mulheres separadas por milênios, mas com uma luta em comum: manter vivas as amazonas e preservar seu legado para a humanidade.

A capa desse livro em nada me chamou atenção. Pelo contrário, até desdenhei dele pensando ser mais um romance de época. Mas quando notei o nome da autora, dei um pulo de alegria! ANNE FORTIER, autora de JULIETA, livro que li há anos e que ainda sou completamente fascinada! Pronto, solicitei.

Quando o livro chegou, tive outra decepção: achei a sinopse chata! Pois é, eu não havia lido-a antes de solicitar. A mim, bastou o reconhecimento do nome da autora para apostar na leitura. Contudo, foi só ler que o livro iria falar sobre as amazonas que pensei “affff, será uma mesmice e um repeteco enooorme,” Por sorte estava enganada, e como estava!

FORTIER mais uma vez me deixou de queixo caído com sua escrita e sua incrível ideia. No começo achei que teríamos uma protagonista um tanto quanto mimizenta por causa da cisma com as amazonas, mas ela mostrou-se uma mulher forte, determinada e cheia de coragem, tanto para enfrentar as diversas confusões em que se meteu, quanto para bater o pé em relação ao seu ponto de vista em relação a existência das amazonas.

Com um misto de mitologia, suspense e ação, ANNE conseguiu me proporcionar horas de absoluto prazer e grande conhecimento sobre os temas que abordou. Acho gratificante quando um autor consegue colocar algo de não-ficção em sua obra. Algo que nos faz pausar a leitura para buscar mais informações sobre o tema, e não parei de fazer pesquisas sobre as diversas referências que ela citou.

A IRMANDADE PERDIDA tem um “q” de DAN BROWN? Claro que tem! O homem não é o único a mesclar temas polêmicos e reais com ficção e um suspense de deixar o leitor vidrado nas páginas. ANNE também cumpre todas essas tarefas de forma magistral. Não foram poucas as vezes em que me vi torcendo feito uma alucinada por determinadas situações. Até por romance eu torci! Mas as reviravoltas foram as melhores partes. Achei incrível como o personagem X conseguiu me enganar por tanto tempo, mais incrível ainda como fiquei imaginando que não, não devia ser bem isso, que X estava sendo mal compreendido, que tinha uma justificativa... E tinha! Mal caratismo! Rá! Fico simplesmente alucinada quando um autor consegue me envolver tanto com um personagem que quando algo de ruim é revelado sobre ele, fecho os olhos e me nego a acreditar. Adoro ficar em negação, pois isso só aumenta minhas exclamações de êxtase e prazer com a leitura quando tudo sobre esse personagem é exposto, mesmo que meu coração se parte.


Eu poderia dizer que A IRMANDADE PERDIDA é um incrível livro de suspense, mas seria pecado dizer que ele é apenas isso. Esse livro é mágico e transborda conhecimento sobre diversos assuntos. Só quem ler vai entender o quão grandioso ele é. Se não faz parte da lista de desejados de vocês, coloquem!


15 de maio de 2015

RESENHA: CÃES DO REI - Martin Jensen (Ed. Record)



Bom dia, pessoal!

Dando continuidade a essa semana especial da RECORD, agora vocês vão poder conferir o que achei de CÃES DO REI do MARTIN JENSEN.

Cães do Rei CÃES DO REI
MARTIN JENSEN
Editora: RECORD              
Ano: 2015
Nº págs: 336
Gênero: Suspense Histórico

SINOPSE: Na tentativa de garantir a paz na Inglaterra, o rei Cnut convoca saxões, dinamarqueses, vikings e jutos para um encontro em Oxford. Porém, a dias da reunião entre nobres e bispos saxões e conselheiros dinamarqueses, a morte de um nobre saxão abala a já frágil estabilidade da região, dificultando os planos de Cnut. A fim de garantir o sucesso de seus propósitos, o rei escolhe uma dupla improvável para solucionar o crime: Halfdan, outrora um nobre e agora empobrecido, e Winston, um pintor e ex-noviço. Seguindo as pistas do assassinato, os dois se deparam com uma grande conspiração. Surge assim uma nova dúvida: eles conseguirão resolver o mistério e permanecer vivos? 

Antes de mais nada, preciso dizer que só solicitei esse livro por ter um assassinato a ser desvendado. Obviamente, pensei que estaria frente a um suspense histórico incrível, mas no fim não foi tudo que pensei L

Não sei se vocês estão habituados a ler suspenses históricos, mas a riqueza de detalhes e a profundidade com que os personagens são retratados são fatores que sempre me impressionam. Outro aspecto que me deixa de boca aberta é o fato de os autores misturarem ficção com realidade, o que dá um sabor bastante especial à narrativa e me deixa embasbacada com os acontecimentos. Em CÃES DO REI encontrei muito disso, mas não o suficiente para considerá-lo magnífico, como achei que seria.

JENSEN tem uma escrita deliciosa, não nego, mas em muitas situações achei que algumas passagens foram sem sentido. O começo foi meio lento, cheio de apresentações e de personagens, que apesar de bem explicados, algumas vezes me soaram meio confuso, como se o autor não estivesse explicando tudo que devia, como se algo faltasse para dar liga ao que estava sendo contado.

Quando começou a perseguição pelo assassino, a obra ganhou novo fôlego, e passei a ler de forma vertiginosa e aproveitei cada pedacinho, afinal, estava esperando exatamente por isso. Mas, depois que adentrou nessa investigação, não sei encontrar uma explicação, mas minha empolgação com a leitura arrefeceu, e acredito que boa parte da culpa tenha sido de um dos personagens, que não conseguiu me conquistar. Já antipatizei com Halfdan logo de cara. Apesar de algumas passagens interessantes envolvendo o personagem, não consegui gostar dele desde que apareceu no livro, sim, foi uma antipatia gratuita e assumo isso, mas simplesmente não consegui. Já Winston, por ser pintor e ex-noviço, conseguiu me cativar desde o momento em que apareceu, e achei suas passagens espetaculares.

O mote histórico também foi bastante interessante, mesmo que confuso no começo. Aliás, CÃES DO REI teve muita, mas muita coisa boa. E por conta dos elogios vocês devem estar se perguntando a razão de eu ter dado apenas 3 estrelas ao livro. A razão é que, apesar de ter gostado, não consegui não achá-lo apenas bom e não consegui não compará-lo com outros livros do gênero, e na comparação, muitos outros títulos me pareceram melhores trabalhados, mais intensos e muito mais verossímeis com a época em que se passaram.


CÃES DO REI foi uma leitura agradável, claro, mas ficou bem abaixo de outros que seguem a mesma linha. Ainda assim, digo que a leitura compensou e que algumas passagens me fascinaram ;)


7 de maio de 2015

INDICAÇÃO: A PASSAGEM DO ANJO - John Sack (Ed. Arqueiro)



Boa tarde, pessoal!

Quinta-feira é dia de INDICAÇÃO aqui no blog, e como essa semana é dedicada à editora ARQUEIRO, resolvi que vou falar rapidinho de um livro da editora que li já faz bastante tempo, mas que gostei bastante: A PASSAGEM DO ANJO do JOHN SACK.

A passagem do anjoA PASSAGEM DO ANJO
JOHN SACK
Editora: SEXTANTE        
Ano: 2009
Nº págs: 336
Gênero: Suspense Histórico

SINOPSE: Nas noites de lua cheia, frei Angelo Lorenzini se arrasta para a parte mais escura de sua masmorra e se esconde debaixo do cobertor. Os raios desgarrados de luar o levam ao limite de seus sentidos, fazendo a pele pinicar e o sangue correr furioso nas veias. Levantando as orelhas, ele escuta a lua uivante, porém tem o cuidado de não responder. Sim, Angelo é um lobisomem. Desde que descobriu a herança deixada por seu avô, ele se pergunta o motivo dessa maldição - por que ele? Até que esteja pronto para compreender esse mistério, ele terá que percorrer um longo caminho de desastres e sofrimento. No século XIII, numa Itália profundamente marcada pelos conflitos entre os poderes eclesiástico e imperial, Angelo tem uma rixa pessoal com o papa Bonifácio VIII que remonta a 50 anos, quando o pontífice ainda era o garoto Benedetto Gaetani. Na verdade, a disputa com Gaetani é apenas um dos relacionamentos desastrados de Angelo. Como um Midas às avessas, Lorenzini destrói tudo o que toca. Sempre se envolvendo com mulheres proibidas e ferindo amigos sinceros, afasta de sua vida todas as formas de amor verdadeiro. Por muitos anos, Angelo, que é ao mesmo tempo um ser divino e amaldiçoado, vive dividido entre suas duas naturezas, incapaz de entender sua essência. Ao fim da longa busca por Deus e sua verdade, Angelo descobre que aquilo que procurava estivera o tempo todo dentro dele. Afinal, todo mundo não tem um pouco de animal e de anjo? A passagem do anjo, de John Sack - autor do best-seller A conspiração franciscana -, é uma envolvente ficção histórica com um toque sobrenatural e um desfecho surpreendente.

Vocês devem estar se perguntando por qual motivo estou indicando um livro que dei apenas 3 estrelas, e explico: não dei mais estrelas pelo simples fato de que a narrativa do autor é bastante lenta, mas tirando isso o livro foi ótimo, tanto que até hoje não o esqueci. E para que vocês tenham uma ideia, quando o li, ele tinha saído pelo selo da Sextante, então, faz tempo mesmo!

Outro motivo que me levou a indicar esse livro hoje é porque amanhã vou postar a resenha de SANGUE DO CORDEIRO, e ambos os livros trazem o mote sobrenatural em seus enredos e ambos me surpreenderam bastante nessa abordagem. Mas o assunto hoje é A PASSAGEM DO ANJO, e indico-o pelo simples fato de ser um suspense histórico maravilhoso, que traz uma riqueza impressionante nos detalhes da época em que se passa e pelo fato de ter um ser sobrenatural que nunca foi dos meus preferidos (não vou dizer qual é), mas mesmo assim ter me deixado absorta na leitura.


Como eu disse logo no começo, o único ponto ruim da trama é a lentidão da narração, no mais, A PASSAGEM DO ANJO é interessantíssimo! Basta saber levar para se impressionar. Confiram ;)




13 de agosto de 2014

RESENHA: O PERGAMINHO SAGRADO - Anton Gill (Ed. Record)



Oi, gente!

Hoje vou falar sobre um lançamento da RECORD que me deixou interessadíssima, mas que ao chegar ao final não senti que a leitura correspondeu ao que esperava: O PERGAMINHO SAGRADO do ANTON GILL.

O Pergaminho SagradoO PERGAMINHO SAGRADO
ANTON GILL
Editora: RECORD              
Ano: 2014                  
Nº págs: 504 
Gênero: Suspense, Suspense Histórico

SINOPSE: Quando um grupo de arqueólogos começa a investigar a tumba de Enrico Dandolo, o poderoso magistrado de Veneza e líder da sanguinária Quarta Cruzada, ninguém imagina as consequências catastróficas dessa pesquisa. O líder dos venezianos guardava muitos segredos e, antes de morrer, fez questão de dar instruções sobre como deveria ser sepultado, pois algumas informações precisavam ser enterradas com ele. Oitocentos anos mais tarde, após encontrar o túmulo de Dandolo, três arqueólogos são sequestrados e desaparecem sem deixar rastro. Tudo o que resta dentro da tumba é uma estranha chave com um antigo código inscrito. Assim, os agentes da Interpol Jack Marlow e Laura Graves são convocados para investigar o misterioso caso, e logo descobrem que Dandolo guardava a verdadeira história por trás dos Cavaleiros Templários. E que alguém quer evitar que seus segredos venham à tona. 

Todas as vezes que leio a sinopse desses livros, que costumo chamar de “A La Dan Brown”, fico doida para conferir o que o autor aprontou. Acho fascinante a mistura de religião, suspense e História da Arte. Geralmente, leio esse tipo de livro de uma vez, tão envolvente eles são e tantas questões interessantes levantam. Contudo, demorei quase uma semana para ler O PERGAMINHO SAGRADO, e no fim não encontrei muito do que esperava.

Até a página 100 a leitura fluiu que foi uma beleza! Tudo era extremamente interessante e o misto de assuntos que tanto gosto saltavam aos olhos e me deixavam a cada minuto mais e mais curiosa. Contudo, com o passar das páginas, a empolgação foi arrefecendo, isso porque a narrativa tornou-se de uma morosidade sem igual. GILL inseriu tantos e tantos detalhes que parecia que o mote principal ficava desaparecido, pois a história passou a ser maior do que precisava para ser interessante.

Outro ponto que me desagradou foram os personagens. Nenhum deles tem carisma suficiente para agarrar o leitor e nos impulsionar para leitura. Falta aquele magnetismo pessoal, brilho. Os personagens são mornos e enfadonhos. Alguns chegam a ser chatos, outros, pedantes, mas o pior de todos foi Jack, que além de não ter nenhum quesito que o torne um protagonista interessante, foi enganado várias e várias vezes, durante todo o livro, fazendo papel de tolo. E com isso chegamos ao último aspecto que me desagradou: a obviedade do caráter de alguns e a falta de senso do personagem Jack para reconhecer isso. Algumas (muitas) vezes fiquei em dúvida se o cara era um especialista de verdade, pois são várias as coisas que se passam debaixo de seu nariz e ele não viu!!! Desculpem, mas ainda sou do tipo que gosta de investigadores fodões, que percebem mais que os outros e sabem olhar além.

Mas nem tudo foi perdido em O PERGAMINHO SAGRADO. Duas coisas me fascinaram bastante. A primeira: a parte histórica/religiosa. Sempre gosto dessas partes e nesse ponto GILL conseguiu me conquistar. Adorei acompanhar a história de Dandolo e sua busca por poder, poder e mais poder. A segunda: o recorte temporal. Simplesmente AMO quando autores não contam suas obras de forma cronológica. Adoro quando vão falando de presente e passado de forma alternada, e GILL faz isso muito bem, nos inserindo em três momentos diversos da história e “picotando” eles para nos dar informações.

Como O PERGAMINHO SAGRADO teve seus altos e baixos, acabei por dar uma nota mediana. Acho que ANTON criou uma história fascinante, mas faltou grandes personagens para dar vida a ela e deixá-la de forma a dar água na boca.




22 de julho de 2014

RESENHA: A CEIA SECRETA - Javier Sierra (Ed. Planeta)



Muito bom dia, pessoal!

Hoje vou falar sobre A CEIA SECRETA, livro incrível do espanhol JAVIER SIERRA, lançado pela editora PLANETA e que já está na minha lista de favoritos.

A Ceia SecretaA CEIA SECRETA
JAVIER SIERRA
Editora: PLANETA              
Ano: 2014                  
Nº págs: 320 
Gênero: Suspense Histórico

SINOPSE: Janeiro de 1497. Durante semanas, uma série de cartas anônimas enviadas à corte do papa Alexandre VI adverte que em Milão o controvertido Leonardo da Vinci está executando uma obra diabólica - um mural da Última Ceia, no qual não só pintou os apóstolos sem seu preceptivo halo de santidade, como também o próprio artista se retratou entre eles, dando as costas a Jesus Cristo. Frei Agustín Leyre, inquisidor dominicano especialista na interpretação de mensagens cifradas, é enviado à corte dos Sforza para supervisionar essa pintura e tentar decifrar o segredo que protege a identidade do remetente das cartas. Será que a revelação deste mistério conseguirá mudar nossa forma de ver a pintura do gênio do Renascimento?

Acredito que todo mundo que tenha lido e gostado de O CÓDIGO DA VINCI do DAN BROWN, vá, imediatamente, se interessar pelo livro do SIERRA, que de forma diferente da de BROWN, mescla os mesmos assuntos: conspiração religiosa, História da Arte e, claro, Leonardo Da Vinci.

A grande diferença é que a história de SIERRA se passa em 1497, e com isso temos uma riqueza histórica incalculável nas páginas de A CEIA SECRETA. Através dessa viagem no tempo, JAVIER nos coloca frente a Leonardo tentando ocultar uma mensagem em uma de suas obras mais famosas: A Santa Ceia. Para esconder essa mensagem, o mestre cria um verdadeiro rebuliço, pois são muitos que o consideram um herege que quer derrubar a igreja católica.  E é aí que a conspiração religiosa se inicia.

Simplesmente ADORO essas histórias e, como não sou religiosa, gosto muito de ver as criticas feitas à igreja católica nessas obras. Achei interessantíssima a abordagem de SIERRA no que concerne à igreja e gostei ainda mais de ver como ele explorou a fé de Leonardo e de alguns de seus seguidores, colocando-os como praticantes de uma fé pura, sem intermédio da instituição católica ($). Adorei ver as criticas do autor em relação ao dízimo e a tantas outras situações em que a igreja parece abusar da fé dos fiéis. Para mim, é maravilhoso ver que um autor mescla ficção com realidade e ainda assim consegue levantar questões importantes acerca de um determinado tema e fazer com que o leitor reflita sobre o que está lendo.

SIERRA foi maravilhoso na abordagem religiosa, mas também o foi no que se relaciona com suspense contido nas páginas de A CEIA SECRETA. As mortes foram interessantíssimas e as revelações dos motivos sinistras. Não sinistras no sentido de medonhas, e sim no de inacreditáveis, de terem sido cometidas pelos motivos que foram. O autor soube manter o suspense durante toda a trama e me deixou curiosíssima, não apenas com as mortes, mas com a quantidade de segredos que as permeavam.

Como se já não bastasse esses dois aspectos terem me satisfeito por completo, SIERRA ainda abordou um outro ponto, que é o que mais gosto nessas obras: a História da Arte envolvida nesse misterioso mundo que é a religião. Simplesmente AMEI cada interpretação que o autor deu para a Santa Ceia de Da Vinci. Dos apóstolos pintados, aos gestos em suas mãos, nada deixou de ser mencionado por JAVIER, nada deixou de ser brilhantemente trabalhado. A razão da presença de alguns elementos na pintura, a falta de outros, o que Leonardo queria de fato ocultar... Tudo isso deixou o livro muito mais intenso e real, elevando o prazer da leitura a um grau elevadíssimo!

Ao finalizar a leitura, estava satisfeitíssima com tudo que havia encontrado nas páginas de A CEIA SECRETA. Há muito que não lia um livro sobre conspiração religiosa que de fato valesse à pena e merecesse ser considerado como incrível. O livro me surpreendeu do começo ao fim, e mais ainda ao chegar às páginas finais e ver que o autor fez uma lista dos personagens do livro, relatando quem de fato existiu, quem era e o que fazia. Como disse, adoro essa mescla de realidade histórica e ficção que nos levam a refletir sobre os muitos segredos da religião que ainda permanecem obscuros. Amei a leitura e já virei fã do SIERRA. Quero muito ler outras obras do autor. Mais que recomendo A CEIA SECRETA.  


15 de maio de 2014

RESENHA: ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL - Claude Izner (Ed. Vestígio)



Oi, gente!

Vocês sabem que adoro policiais, e claro que não posso deixar passar uma semana em branco sem resenha do gênero. Por isso, hoje vou falar sobre um dos novos lançamentos da VESTÍGIO: ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL, escrito pelas irmãs Liliane Korb e Laurence Lafèvre, mas que assinam com o pseudônimo de CLAUDE IZNER.

Assassinato na Torre EiffelASSASSINATO NA TORRE EIFFEL
CLAUDE IZNER
Série: Victor Legris (vol. 1)
Editora: VESTÍGIO              
Ano: 2014                  
Nº págs: 256
Gênero: Policial, Suspense Histórico

SINOPSE: Como inúmeros visitantes do mundo inteiro, Victor Legris, livreiro da rua dos Saints-Pères, está a caminho da Exposição Universal, onde a torre Eiffel, recentemente inaugurada, é a verdadeira estrela. Nesse início de verão de 1889, os parisienses têm dificuldade para circular na multidão aglutinada entre as barracas coloridas, nos corredores invadidos por riquixás chineses e adestradores egípcios. No primeiro andar da torre, Victor vai se encontrar com Kenji Mori, seu sócio, e seu amigo Marius Bonnet, que acaba de lançar um novo jornal, o Passe-Partout. Mas o encontro é subitamente interrompido: uma mulher acaba de morrer, vítima de uma estranha picada. A partir daí, tem lugar uma série de mortes inexplicadas que vão marcar a vida de Victor Legris como investigador e fazer você mergulhar na capital dos impressionistas.

Alguns de vocês devem saber que uma de minhas metas é acompanhar todos os lançamentos da VESTÍGIO, e até agora estou conseguindo \o/ ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL é o oitavo livro que li da editora e fiquei bastante satisfeita com algumas partes, outras nem tanto.

A primeira coisa a saber sobre ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL é que ele é um suspense histórico, logo, somos transportados à uma viagem no tempo, mais precisamente à Paris dos anos 1889. É nesse cenário encantador que vamos acompanhar Victor Legris, livreiro de profissão, “encarnar” o detetive. Mas a investigação não será fácil, afinal, as mortes são, aparentemente, causadas por picadas de abelhas.

Ao iniciar o livro, percebi que ele tinha um ritmo mais lento do que a grande maioria dos romances policiais, contudo, isso não diminuiu o prazer da leitura, pelo contrário, as autoras expuseram de forma tão minuciosa a Paris daquela época que me senti transportada a uma verdadeira e significativa aula de História, com passagens que se quer aprendi em minha época de escola ou que foram por mim esquecidas. Mergulhando nesse mote histórico, tenho que confessar que me perdi da investigação e não achei lá aquelas coisas, isso porque estava muito mais entusiasmada com os aspectos históricos abordados no livro.

Não bastando já termos uma verdadeira aula, fui ficando cada vez mais fascinada ao ver que as autoras também abordaram a História da Arte nas páginas do livro. Estudei a matéria na faculdade e foi um imenso prazer relembrar artistas já esquecidos, apesar de extremamente famosos. Como disse, essas partes foram tão interessantes que esqueci completamente estar diante de um livro de suspense, e quando o enredo passou a verter para o desdobramento dos fatos e revelações policiais, já não havia interesse em mim em seguir por essa veia. Sim, deixei-me levar por um período histórico extremamente bem retratado e esqueci que o foco principal do livro era uma investigação. Mas com jornais desnudando fatos, a censura batendo à porta, exposições sendo detalhadas, livros raros e clássicos sendo comentados, e vidas de pintores consagrados sendo pormenorizadas, quem disse que conseguia lembrar que havia uma investigação? E deveria lembrar, mesmo porque um dos principais personagens é suspeitíssimo, mas, infelizmente, nem ele com seus segredos, nem Victor com sua astúcia, conseguiram me prender na perseguição. Além do excelente enredo histórico, culpo também a forma das mortes pelo meu desinteresse investigativo, talvez se elas fossem brutais, cheias de sangues, com partes espalhadas aqui e ali, eu tivesse me lembrado mais delas, dado mais importância, mas como elas aconteciam rapidamente e através de uma picadinha, sinto muito, mas não deu, tinha muita história parisiense para acompanhar e releguei o principal do livro, pois simplesmente não conseguia achar tão interessante quanto o cenário apresentado.


Explico as três estrelas da nota ao fato de ASSASSINATO NA TORRE EIFFEL ser um livro policial, mas não ter conseguido manter meu interesse em seu foco. Porém, como aula de História, nota 5 seria pouco. Para quem gosta de históricos, não pode perder.


18 de março de 2014

RESENHA: OS SETE CRIMES DE ROMA - Guillaume Prévost (Ed. Vestígio)



Oi, pessoal!

Vamos para mais uma resenha policial?

Quem acompanha o blog sabe que uma de minhas metas para 2014 é ler todos os livros lançados pelo selo VERTIGO, que agora mudou para VESTÍGIO. Estou felicíssima, pois estou quase chegando ao fim da meta \o/. Hoje vou falar sobre OS SETE CRIMES DE ROMA, do GUILLAUME PRÉVOST, o sexto livro que li do selo.

OS SETE CRIMES DE ROMA
GUILLAUME PRÉVOST
Editora: VESTÍGIO          
Ano: 2013                  
Nº págs: 256
Gênero: Policial, Suspense Histórico

SINOPSE: Roma, dezembro de 1514. A poucos dias do Natal, o corpo decapitado de um jovem é descoberto em cima da estátua do imperador Marco Aurélio. Uma inscrição feita com sangue assina o crime: "Eum qui peccat " ("Aquele que peca"). Pouco tempo depois, é a vez de um velho ser encontrado, morto e nu, pendurado numa escada no Fórum. A Coluna de Trajano revela seu fúnebre segredo e o restante da inscrição: "Deus castigat " ("Deus castiga"). A sangrenta encenação está apenas começando. Instalado há pouco no Vaticano, ocupado com seus trabalhos de anatomia, pintura e ótica, Leonardo da Vinci se apaixona pelo caso. Como interpretar os lúgubres detalhes que cercam os crimes? O papa e a cristandade estariam sendo desafiados? Com a ajuda de Guido, um jovem estudante de Medicina, o pintor tenta desmascarar um assassino que demonstra tanto inteligência em desorientar as investigações quanto crueldade em executar suas vítimas. Um romance policial diabólico que, dos mistérios da biblioteca do Vaticano aos segredos das ruínas antigas, nos arrebata num jogo de pistas eletrizante, erudito e macabro. 

Preciso ser sincera com vocês e dizer que, pelo título, esse foi o livro da editora que mais despertou meu interesse. ADORO tudo que é histórico. Quando o suspense é histórico então, nem se fala, aquela pegada DAN BROWN vem à minha mente e me fascina completamente <3. Ao ver o nome de da Vinci na capa, fui a loucura! Esperei muito para ter o prazer dessa leitura, mas, no fim, não foi tudo isso.

Alguns pontos gostei imensamente, como o fato de ser um Suspense Histórico. O autor, que é professor de História, soube nos inserir MUITO bem na realidade do século XVI. A caracterização dos personagens, o ambiente, as festas, roupas, ruas, casas, etc, todas essas descrições de fato nos levaram a uma viagem no tempo.

Da Vinci foi um personagem que ele descreveu de forma apaixonante. Intelectual, inteligente, um sábio. O personagem domina tudo: o mundo da arte, das invenções, das construções, dos estudos filosóficos, médicos e muitos outros. É um verdadeiro gênio que nos coloca no encalço do assassino.

Os assassinatos também foram incríveis. Se GUILLAUME não foi muito hábil ao escolher o culpado, que achei meio óbvio e já tinha desconfiado desde o começo, foi completamente inteligente ao descrever as cenas do crime e os corpos. Acredito que forte e chocante sejam palavras que definem bem os crimes. Extremamente detalhados, bem elaborados, e descritos até de forma cruel.

Mas o que me levou a dar apenas 3 estrelas para o livro foram três fatores: o protagonista, a investigação, e o ritmo da narrativa.

Desde o princípio pensei que o livro seria narrado por da Vinci, o que foi um erro, pois este figura como personagem. OS SETE CRIMES DE ROMA, é, na verdade, narrado por Guido, um médico apaixonado por resolver mistérios. Seu pai havia sido um homem da lei, mas já tinha falecido, por temer pela vida do filho, a mãe de Guido não quis ele na profissão de policial, então o rapaz fez medicina, mas isso não foi suficiente para afastá-lo da resolução de mistérios. Apesar de o autor trabalhar bem na imagem de Guido, ele não me agradou. Sua história de vida e sua paixão por mistérios não foram suficientes para que o personagem me cativasse, e, junto a isso, não consegui me convencer quanto à investigação. Apesar de ter adorado as mortes e achar que o assassino cumpriu seu papel na obra, a investigação e os achismos de Guido não me convenceram, fazendo parecer bastante inverossímil os avanços do personagem.

Outro ponto que me desapontou foi o ritmo de leitura. Com Vaticano, da Vinci, e uma excelente forma de narrar assassinatos em mãos, pensei que a leitura teria um ritmo frenético, dessas que só conseguimos largar o livro quando terminamos, mas a verdade é que, apesar de vários pontos positivos, a leitura foi mais lenta, mais arrastada, e nesse caso isso não me agradou, pois algumas vezes senti que dávamos voltas sem sair do lugar.


Considerei OS SETE CRIMES DE ROMA um bom livro e bastante interessante, gostei de tê-lo lido e aproveitei a leitura, mas, por conta dos pontos que citei acima não consegui elevar a quantidade de estrelas. De todo jeito, recomendo para os fãs de policial ;) só não vão com sede ao pote pensando que vão achar algo como Dan Brown.