Boa tarde, pessoal!
Hoje vim falar de um livro que estava mega ansiosa para ler: O CANTO DA SEREIA, do NELSON MOTTA (Ed. OBJETIVA). Assisti a série na Rede Globo e esperei de forma desesperada pelo livro, agora vou
falar tudinho que achei dele, e claro, mostrar algumas diferenças com o que a
série de TV mostrou.
A grande diferença já começa no início no livro, logo nas primeiras
páginas, Augustão, que na série da TV fazia parte dos seguranças de Sereia e
resolveu investigar a morte da cantora, é muito mais que isso no livro do MOTTA: marido, pai, mulherengo,
jornalista, contista, segurança e investigador particular (uffa!). Sereia, por
sua vez, em nada se assemelha à lindíssima Isis
Valverde; no livro ela é loura, 1.80 metros, seios fartos, coxas grossas.
Na descrição física as personagens não se assemelham nem na cor dos olhos,
castanhos em Isis, cor de mel na
Sereia do livro. Eu, que AMO a Isis,
li o livro inteiro pensando em Sereia como ela, pois do contrário, pela
descrição do livro, me vinha uma Claudia Leitte na cabeça (e não a suporto).
Enfim, optei por sempre imaginar a personagem da TV quando o nome de Sereia era
citado no livro. Mara, empresária de Sereia, representada na TV por Camila Morgado (ruiva e de olhos azuis),
é morena, de cabelos curtos e castanhos. O Governador Jotabê é gordo e perto
dos 70 anos, bastante diferente do Caruso.
Diante tantas modificações das características físicas das personagens, não
tive escolha, a não ser esquecer das descrições de MOTTA e imaginar sempre os personagens escolhidos pela Globo, pois eles muito me agradaram.
Uma vez feito isso, embarquei na leitura de um livro delicioso. Sereia,
cantora pop, é assassinada em seu trio elétrico em uma noite de chuva em pleno
carnaval de Salvador. (mais uma diferença com a série, em que o crime ocorreu
durante um ensolarado dia). Todos ficaram bastante chocados com a morte da
cantora e Augustão resolve investigar.
Os culpados poderiam ser muitos: Jotabê, o político corrupto que a queria
em suas campanhas e comícios; Tuta, o publicitário que investiu na carreira de
Sereia; Mara, a empresária com quem a cantora tinha um caso; Paulinho,
ex-namorado da moça e descobridor de seu talento; Jorge de Ogum, amante
dela; e Mãe Marina, esposa de Jorge de
Ogum.
Numa trama impressionante, Augustão vai descobrindo tudo o que esses
personagens gostariam de esconder: fraude, corrupção, traição, fortes ligações
sexuais, etc.
Achei a trama que envolve a morte da cantora bastante parecida com o que a
TV apresentou, é claro que o livro traz mais detalhes, expõe um pouco mais a
política, fala um pouco mais sobre Mãe Marina e seu terreiro. Aliás, Mãe Marina
foi uma personagem que odiei na série, mas que amei no livro. No livro ela é
uma mulher sensata, serena, que resolve tudo com muita paciência e que mesmo
tendo sido traída por Sereia, se mostra uma mulher boa e de caráter. Claro que
não deixamos de duvidar dela sobre o assassinato, mas a personagem do livro é
encantadora e faz belíssimas descrições de seu caso tórrido de amor com outro
homem após a traição do marido. Acredito que a Globo quis criar um ar de
tensão, em que todos pareceriam culpados até o fim, e por isso a Mãe Mariana
deles parecia carrancuda, amarga, vingativa e principalmente, sinistra. Uma
personalidade totalmente oposta a da personagem do livro.
Uma das coisas que eu já esperava no livro, e que de fato aconteceu, é a
mudança de assassino. O mais legal de tudo é que a Globo não mudou simplesmente de personagem, ela inseriu um novo
personagem para ser aquele que mataria Sereia. No livro, o personagem culpado
da TV nem aparece, então, lá para o meio da história, já estamos tendo um
faniquito para saber quem matou Sereia. O porquê da morte da cantora já é
sabido por todos que acompanharam a série, mas isso não tira em momento algum o
prazer da leitura.
No livro do MOTTA as
personalidades das personagens são extremamente dissecadas, e mesmo assim ele
consegue manter o suspense de quem matou. Já na TV muita coisa foi omitida a
fim de que o telespectador não tivesse uma visão total do personagem e assim
não descobrisse o assassino. A visão de MOTTA
deu mais certo, pois descobri o criminoso na série, mas no livro eu nem
imaginei que o culpado seria quem foi. Ainda assim, se tivesse que estabelecer
uma nota para o livro, seria 11, e manteria a mesma nota para a série de TV,
que apesar de ter feito várias modificações na obra, me encantou ao extremo, e
possibilitou que tivéssemos acesso a duas versões de um mesmo crime, de um
mesmo enredo. AMEI AMEI AMEI. E claro que super recomendo!