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26 de agosto de 2015

RESENHA: PETER PAN TEM QUE MORRER - John Verdon (Ed. Arqueiro)



Tarde, gente!

Hoje estou aqui para falar de um livro da ARQUEIRO que me decepcionou um tantinho: PETER PAN TEM QUE MORRER do JOHN VERDON.

Peter Pan Tem Que MorrerPETER PAN TEM QUE MORRER (vol. 4)
JOHN VERDON
Série: David Gurney
Editora: ARQUEIRO              
Ano: 2015
Nº págs: 400
Gênero: Policial, Suspense

SINOPSE: No mais tortuoso romance policial escrito por John Verdon, o especialista em mistérios David Gurney dedica sua mente brilhante à análise de um assassinato terrível que não pode ter sido cometido da forma como os investigadores responsáveis pelo caso afirmam que foi. Detetive aposentado do Departamento de Polícia de Nova York, ele precisa cumprir uma espinhosa tarefa: determinar a culpa ou a inocência de uma mulher condenada pela morte do próprio marido. Ao descascar as diversas camadas do caso, Dave logo se vê travando uma perigosa guerra de inteligência contra um investigador corrupto, um cordial e desconcertante chefe da máfia, uma jovem linda e sedutora e um assassino bizarro que tem a altura e os traços de uma criança – aparência que lhe rendeu o apelido de Peter Pan. A uma velocidade assombrosa, reviravoltas assustadoras começam a ocorrer e Dave é sugado com força cada vez maior para dentro de um dos casos mais sombrios de sua carreira.

Desde que a ARQUEIRO lançou o primeiro livro desse homem, virei fã! Nos três livros que antecederam PETER PAN TEM QUE MORRER coloquei VERDON como um de meus autores policiais preferidos e David Gurney, seu protagonista, como um dos melhores no ramo. Mas esse último lançamento me decepcionou L

Enquanto todos os demais livros do VERDON foram riquíssimos em uma mescla muito grande de assuntos que pareciam impossíveis de se conectar, mas que acabavam me deixando abismada com o poder que o autor tinha para enfim ligá-los ao final, PETER PAN TEM QUE MORRER não teve nada disso. Foi um história simplória que seguiu apenas ela do começo ao fim, sem tantas ramificações, como é comum ao VERDON, e sem tantas coisas impressionantes, como aconteceram em todos os livros anteriores.

Fiquei muito chateada de ver que um autor que transformava seus enredos em algo tão grandioso, gerou um livro tão “lugar-comum”. Mas minha decepção foi maior quanto ao assassino, surpreendentes nos demais livros por terem ligação com os personagens, mas que aqui foi só um... Ok, não vou contar, mas foi uma bela de uma empobrecida na carreira brilhante desse autor. Além disso, a motivação do crime foi meio boboca, e não digo isso só porque adivinhei, digo isso porque em determinado momento pensei “afff, só falta ter sido assim, assim e assado”. E quando se revelou que foi exatamente isso, fiquei bem puta, primeiro porque não queria ter acertado, segundo porque meu palpite foi algo pobre e simplório e foi essa a solução, o que me deixou indignada!

Porém, confesso que a maior culpada por me fazer desgostar do livro foi Madeleine, a mulher de Gurney. Gente, sério, NÃO AGUENTO MAIS ESSA MULHER! No livro anterior eu já rezei para alguém fazer o favor de dar uma machadada no meio da cara dela, mas nesse volume eu só pedia pra ela desaparecer, não importava como! A mulher é chata, mandona e muito desagradável! Eu ODEIO o quanto ela enche o saco do David, o quanto ela quer que ele se dedique à vida no campo, o quanto quer que ele se mantenha longe de assassinatos e o quanto quer que ele procure ajuda psiquiátrica por que acha que ele gosta de conviver com a morte. Para mim, quem precisa de ajuda psiquiátrica é ela, afinal, foi ela quem se casou com um policial sabendo que a vida dele seria assim. O problema é que a chata, nojenta e insuportável da Madeleine ganhou muito destaque em PETER PAN TEM QUE MORRER, muito mesmo! Não passou um capítulo sem que a personagem aparecesse! Por Deus!, ela é secundária, ao menos sempre tinha sido, e aparecendo de vez em quando já torrava o saco, aparecendo sempre tornou a leitura insuportável, pois ela quebrava o ritmo de toda e qualquer cena de ação que o livro tinha, afinal, estava sempre por perto para interferir com suas conversas boçais e reclamações quanto ao marido. E sim, diversas vezes pensei em pular os parágrafos e páginas em que ela aparecia, pois não suportava mais. O problema é que a sujeita, apesar de mais azeda que limão, SEMPRE dá um palpite certeiro que ajuda David a desvendar o crime, e foi por isso que li tudo o que ela falava de cabo a rabo, e também foi por isso que demorei horas infinitas para ler esse livro, que por causa dela ficou extremamente monótono e cansativo.

Adoro o VERDON, adoro sua genialidade, mas esse livro de fato me aborreceu. Espero que no próximo volume surja um serial killer fodão e vingativo e que mate Madeleine de forma bem sofrida para transformar a investigação de Gurney em algo pessoal, pois essa sujeitinha irritante precisa bater as botas e dar paz para David brilhar em suas investigações. Madeleine, por favor, vaze da série, querida!


Se for para ler VERDON, recomendo todos os três livros anteriores: EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO, NÃO BRINQUE COM FOGO e FECHE BEM OS OLHOS, já PETER PAN TEM QUE MORRER só recomendo se estiver sobrando tempo e paciência para a leitura, e estômago, claro, pois é preciso para aturar Madeleine :S 


5 de setembro de 2013

RESENHA: NÃO BRINQUE COM FOGO - John Verdon (Ed. Arqueiro)

Oi, gente!

Adivinhem o gênero da resenha de hoje :D  POLICIAL, claro! Mês passado a ARQUEIRO lançou mais um livro do queridíssimo JOHN VERDON, NÃO BRINQUE COM FOGO, e eu fui correndo conferir.

Não Brinque Com FogoSINOPSE: No ano 2000, um criminoso que ficou conhecido como Bom Pastor matou seis pessoas em estradas, dentro de seus carros em movimento. Na época, ele enviou um manifesto à polícia no qual deixava claras suas motivações: uma cruzada solitária contra a ganância. Após o sexto assassinato, no entanto, encerrou a matança e nunca foi descoberto. Dez anos depois, uma jovem estudante de jornalismo está fazendo um documentário sobre os familiares das vítimas quando coisas estranhas começam a acontecer em sua casa. Objetos são trocados de lugar, maçanetas são afrouxadas, luzes se apagam sozinhas. Assustada, ela contrata Dave Gurney como consultor. Depois de ler o material sobre o caso – incluindo o perfil psicológico do assassino elaborado pelo FBI –, o detetive coloca em dúvida toda a lógica da investigação. Ao confrontar os agentes responsáveis, porém, Dave percebe que está mexendo em um ninho de vespas, o que fica evidente quando até pessoas que o apoiaram no passado se voltam contra ele. Agora seu único aliado é o antigo parceiro Jack Hardwick, um policial grosseirão e debochado que não esconde seu desprezo pelas autoridades. Com sua ajuda, Dave tem acesso aos relatórios confidenciais do caso e começa a própria investigação. Mais uma vez, ele se colocará em risco enquanto tenta provar seu ponto de vista e capturar o criminoso. Além de reunir todas as qualidades da série Dave Gurney – personagens bem construídos e uma admirável engenhosidade narrativa –, “Não Brinque Com Fogo” vai além: é um lembrete do poder da fé em si mesmo num mundo onde isso é cada vez mais raro.

Não é segredo para quem acompanha o blog que eu adoro JAMES PATTERSON e HARLAN COBEN. Durante muito tempo eles foram meus queridinhos dos romances policiais, hoje, eles ainda são, mas após meu primeiro contato com VERDON tive que incluí-lo nessa lista (que é imensa). JOHN é um autor fantástico, cheio de artimanhas e que conquista o leitor a cada página.

Quando li seu primeiro livro, EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO, dei uma surtada. O cara era muito foda! Não conseguia acreditar que esse era o primeiro livro dele. Logo depois passei a pensar que tinha sido um golpe de sorte, que ele seria desses que lançam um livro fenomenal e que os próximos não chegam aos pés. Confirmei meu engano com FECHE BEM OS OLHOS. O cara continuava fodão na narrativa e a premissa havia melhorado horrores, tamanha quantidade de assuntos que ele conseguiu abordar no livro. Por tudo isso, esperei ansiosa por NÃO BRINQUE COM FOGO.

Antes de tudo, quero dizer que gostei e MUITO do livro, mas não tanto quanto os anteriores. Não que a narrativa não seja excelente e bem elaborada, apenas achei os anteriores mais interessantes.

Nessa nova história, o detetive aposentado Dave Gurney, vai ajudar Kim, a filha de uma amiga, com um documentário. A garota é jornalista e quer retratar como as famílias que perderam um ente querido nas mãos de um Serial Killer sobreviveram. Para isso, ela escolhe a história do Bom Pastor. Um caso que ocorreu há dez anos e que nunca teve solução. Além de ela ansiar por esse documentário, uma rede de TV sensacionalista quer exibi-lo, e com isso ela começa a ter problemas com o namorado, que parece ter inveja do sucesso que a moça está alcançando. Após dar um pé na bunda dele, coisas misteriosas passam a ocorrer na casa dela, e tudo leva a crer que tem um dedinho desse ex. Cabe então a Gurney investigar o rapaz e servir de babá à moça em suas entrevistas.

Ao ficar sabendo mais detalhes do caso do Bom Pastor, Gurney começa a perceber algumas peculiaridades e falhas na reconstituição do crime, e claro que seu olhar aguçado não vai deixar passar nada e ele vai ir até o fim para resolver esse mistério.

Num primeiro olhar esse tinha tudo para ser o melhor livro do VERDON. Adoro histórias com assassinos seriais, principalmente essas em que os crimes ocorreram há muito tempo e tudo parece estar perdido. Contudo, como disse ali em cima, os outros dois livros do autor foram mais interessantes, pareceram ter mais conteúdo.

O que não gostei no livro foi o excesso de Kim. Teria gostado muito mais se a garota apenas tivesse colocado Gurney na investigação e daí a história prosseguisse com pequenas participações dela. Mas ela estava em todas as páginas! Ela ouvia um barulho em casa, ligava para Dave, a luz não acendia, ligava para Dave, teve uma hora que isso ficou muito cansativo, por isso me referi a ele como “babá” da menina.

Outro ponto que Kim me cansou foi na quantidade de páginas dedicadas a ela, as entrevistas com os familiares das vítimas e com o pessoal da emissora de TV. Tudo, claro, acompanhada de Dave, pois ela queria que ele visse todos os passos que estavam sendo dados para a produção do documentário na TV (que mais parecia um reality show barato).

O pior é que a personagem não é nada interessante. Não é inteligentíssima, não desvenda nada, não ajuda em nada. Só ficou ali para me irritar ¬¬ Não sei o que acontece, mas VERDON sempre coloca uma personagem feminina insuportável em seus livros. Nos dois anteriores tive uma birra de Madeleine, esposa de Dave. Ela era chata, implicante, não entendia que o marido era um herói, e achava que ele não tinha que investigar mais nada, pois estava aposentado e morando no campo. No entanto, dessa vez, após Dave ter sido ferido e estar triste em casa, ela fica bastante feliz em ver que o marido está se dedicando a um caso, e então ela deixou de ser uma mulher sufocante; e passei a gostar bastante dela. Mas aí veio a Kim, e puff!, me estressou igualmente ¬¬. Quando me livrei da chatice de uma, tive que aturar a outra.

Outro ponto que me incomodou foram as brigas entre Gurney e o FBI. Os pontos de vistas eram diferentes, mas passou-se muito tempo no livro com essa guerrinha de poder de patentes mais altas. Nesse ponto, porém, houve uma coisa boa, VERDON incluiu uma policial muito bacana, que acabou por salvar o time das mulheres no livro. Ela é forte, determinada  bate de frente com quem quer que seja, mesmo com o FBI.


No restante, a leitura compensa completamente. Toda a história acerca do Bom Pastor é fantástica, os desdobramentos são incríveis e o desfecho fascinante. Fiz mil conjecturas, mas jamais cheguei aonde a sagacidade de Gurney chegou. Esse foi um dos pontos mais altos da narrativa. Adorei o assassino e as razões do assassinato. Tudo foi brilhantemente bem trabalhado e de forma bastante inteligente. O enredo é tão bom, que apesar da participação de alguns personagens ruins, é impossível soltar o livro mesmo que para fazer uma refeição. E acho que isso é o mais importante em uma narrativa, gostar tanto de uma história que não chega a ser tão relevante (apenas irritante) a passagem de alguns personagens enfadonhos. Se é JOHN VERDON, leiam! Impossível não ficar empolgado frente ao enredo fantástico que ele sempre apresenta.


FICHA DO LIVRO





NÃO BRINQUE COM FOGO
JOHN VERDON
Editora: ARQUEIRO
Ano: 2013                   
Nº págs: 400
Gênero: Policial, Suspense


6 de novembro de 2012

RESENHA: FECHE BEM OS OLHOS - JOHN VERDON (ED. ARQUEIRO)


Olá, pessoal!

Estou super empolgada para falar sobre o último livro que a EDITORA ARQUEIRO me mandou do JOHN VERDON: FECHE BEM OS OLHOS. Como vocês sabem, eu AMO livros policiais, mas alguns sempre se sobressaem mais, sempre acabam agradando mais. Falar que FECHE BEM OS OLHOS foi um livro dos que mais me agradaram seria errado, o correto é dizer que JOHN VERDON é o autor que mais me agradou e ponto. Sim, eu babo ovo no JAMES PATTERSON e no HARLAN COBEN e vou continuar babando, mas VERDON é especial.

Quando resenhei EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO, primeiro livro do autor, me rasguei em elogios e disse que duvidava que esse era o primeiro livro dele, pois não era bom, era excelente. Após alguns dias comecei a pensar que seria aquela coisa em que o primeiro livro é ótimo, mas depois a tendência é decair, que era uma sorte de principiante. Que engano delicioso! FECHE BEM OS OLHOS ultrapassa TODOS os limites no quesito excelência e se enquadra em uma esfera que jamais imaginei para um livro policial.

Sei que parece exagero, mas exagero é a excelência que JOHN alcançou com esse livro.

Coloquei a sinopse para vocês, assim não me estendo muito falando sobre o livro e posso me rasgar em elogios sobre ele.

SINOPSE:
David Gurney sempre foi viciado em resolver enigmas. Mesmo dois anos depois de ter trocado a carreira policial pela pacata vida no campo, sua mente investigativa não consegue resistir a uma boa charada. Foi assim com o caso do Assassino dos Números, um ano antes. Agora, a história se repete quando ele é convidado para trabalhar como consultor e ajudar a polícia a desvendar um instigante homicídio.
Jillian Perry, uma jovem de 19 anos, foi morta de maneira brutal no dia do próprio casamento. Todas as pistas apontam para um misterioso jardineiro, só que nada mais na história se encaixa: o motivo, o lugar onde a arma do crime foi deixada e, principalmente, o modus operandi.
A princípio, David reluta em aceitar o convite, preocupado em preservar seu casamento, já que sua esposa, Madeleine, é totalmente avessa ao seu envolvimento em qualquer assunto policial. Porém, recusar-se a participar da investigação seria ir contra sua essência e David acaba se convencendo de que não conseguirá dormir em paz enquanto o criminoso estiver à solta.
Quando começa a entrevistar parentes e conhecidos de Jillian e a avançar no caso, fica claro que o assassino é não só mais inteligente e implacável do que ele esperava, como também destemido o suficiente para atacar seu ponto fraco. David terá que pensar além das evidências para desvendar o quebra-cabeça mais sinistro com que já se deparou.


Primeira coisa que eu AMEI no livro: a vítima! O modo como ela foi assassinada foi de tirar o fôlego e de deixar um imenso mistério no ar. Mais ainda, as características da vítima. Esqueçam essa coisa da morta boazinha, aquela que tem que ser vingada, etc. Verdon explora de tal forma as características de Jillian que aos nossos olhos ela é um verdadeiro monstro, mas fica a dúvida se realmente merecia morrer.

A princípio o livro parece uma coisa, mas nos leva a caminhos completamente diferentes: decaptações, estupros, abusos, incesto, patologias, crime organizado, prostituição, pornografia, estudo sobre o comportamento humano, etc.

Como se não bastasse tudo isso, para resolver a questão Verdon nos brinda com seu detetive, David Gurney. Assim como no primeiro livro, David me encantou. Eu o adoro, admiro e torço por ele a todo segundo. Mas, assim como no primeiro livro, o autor continuou deixando que a esposa de Gurney, Madeleine, continue ser uma personagem insuportável. A mulher implica com tudo, não quer que ele investigue nada e não aceita que se mudaram para o campo para viver em paz e mesmo assim o marido, aposentado, não abandona os crimes. A mulher não enxerga que casou com um herói! Como ela me irrita! Meu maior desejo é que Vernon mate ela em um próximo livro, amém!

Tirando esse fator picuinha, o livro é fantástico! Personagens ricamente construídas e detalhadas em suas características físicas, psicológicas e sociais (o que não ocorre com tanta frequência nos policiais). Perfeita exploração dos ambientes, desde o cenário dos crimes até a sala da delegacia. Uma mistura incrível de temas, que num começo de leitura fica bastante difícil de imaginar, e principalmente, de achar alguma conexão entre eles.

Absolutamente brilhante, inteligente e genial. Esse é JOHN VERDON. E eu... Eu quero muito, mas muito mais desse autor. Sim, eu assumo, ele tomou o lugar de muitos de meus autores preferidos do gênero policial. Escrever um primeiro livro genial pode ser um tiro de sorte, mas escrever um segundo, mostrando ainda mais capacidade e sem cair na mesmice, isso é para poucos. E VERDON faz parte desses poucos que conquistam os fãs do gênero por toda a vida.


FICHA DO LIVRO

FECHE BEM OS OLHOS
JOHN VERDON
Editora: ARQUEIRO
Ano: 2012                   
Nº págs: 432
Gênero: Policial, Suspense




7 de setembro de 2011

RESENHA: EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO - John Verdon (Arqueiro)

Bom dia amores!

Começamos esse feriado com a resenha de um livro policial, que é um gênero que eu quase não gosto, rs. Brincadeira, quem segue o blog sabe que é meu gênero preferido e que sou alucinada por romances policiais. É por isso que fiquei de olho nesse lançamento da ARQUEIRO e quase morri de felicidade quando recebi ele para resenhar: EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO do John Verdon.

EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO é o livro de estreia do John Verdon, mas por muitas vezes cheguei a duvidar. Extremamente bem elaborado, com enredo surpreendente e final de tirar o fôlego, não conseguia acreditar que o autor nunca havia escrito nada, mas, é verdade, esse foi o primeiro livro do John, que daqui pra frente terá a difícil missão de escrever algo tão fantástico quanto.

EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO nos apresenta o detetive David Gurney. Gurney está aposentado, mas é o mais famoso detetive na área de homicídios de Nova York. Depois de se aposentar mudou para o interior do estado com sua esposa, onde vivem uma vida tranquila, ao menos planejada para ser tranquila.

Tudo corria bem até David receber um e-mail de um antigo colega de escola que não via há vinte e cinco anos. No e-mail Mark Mellery se desculpava pelos anos de afastamento, mas solicitava a ajuda de David para resolver um estranho caso que o estava preocupando, pedindo assim, permissão ao ex-detetive para entrar em contato por telefone para marcar um encontro.

Quando os antigos conhecidos se encontram Mellery lhe conta o problema: ele estava sendo ameaçado. Fazia alguns dias que recebia estranhas cartas, escritas a mão e com tinta vermelha, contendo poemas ameaçadores. Mas a primeira carta fora a que lhe metera medo de verdade, pois pedia para que ele pensasse em um número de um a mil e depois abrisse um outro envelope, que lhe revelaria o número pensado, 658. Além disso, o bilhete dizia que o conhecia muito bem, por isso ele acertara ao escolher o 658 e que se Mellery quisesse saber mais sobre si mesmo e sobre quem sabia tanto sobre ele, deveria enviar uma certa quantia a uma determinada caixa postal.

Diante do acerto, e assustado com a possibilidade de alguém conhecer algo sombrio de seu nebuloso passado, Mellery, agora um famoso guru espiritual, envia o dinheiro solicitado, mas fica ainda mais apavorado quando o dinheiro retorna com um bilhete do verdadeiro dono da caixa postal dizendo que deveria haver algum engano, pois aquela caixa postal era dele e não do nome endereçado no envelope de Mellery.

Mas Mark continuou recebendo os poemas ameaçadores, e sem querer envolver a polícia, para que eles não adentrassem no seu retiro espiritual, foi atrás de David em busca de uma resposta. Gurney estava aposentado, mas ficou bastante intrigado, prometeu ajudar o ex-colega, mas não encontrou muitas respostas para o que estava acontecendo, até que Mellery foi brutalmente assassinado de forma completamente enigmática.

É a partir daí que o enredo se monta, mas também se transforma. Fica cada vez mais difícil para a polícia entender o assassinato do guru e tudo se transforma numa questão completamente desafiadora quando outros crimes, com o mesmo modus operandi, são descobertos, mas todos em cidades demasiadas afastadas de onde Mellery residia.

As polícias dessas cidades resolvem se unir a procura de um serial killer que parece ser completamente maluco, mas extremamente inteligente e sempre a frente dos descobrimentos das autoridades. Os resultados não são nada agradáveis e podemos dizer que, em parte, são até tristes,  mas totalmente inesperados pelo leitor.

Verdon conseguiu me deixar completamente submersa em sua narrativa, mas em nenhum momento fez com que tenhamos a reação normal dos livros policiais, que é a de ficar com “achismos” sobre determinadas personagens. Pelo contrário, Verdon conduz o espetáculo tão bem que achamos que todos são inocentes e improváveis de serem culpados.

Apenas uma coisa não me agradou por completo no livro, a esposa do Gurney. Apesar de ela ser peça de fundamental importância para fazer funcionar o raciocínio do marido e algumas pistas se encaixarem, ela é, muitas vezes, uma mulher chata que implica com a profissão do detetive, pois uma vez que ele estava aposentado, ela acredita que ele não deveria mais tentar solucionar os casos, e isso a torna uma personagem enfadonha e repetitiva. Tirando isso, EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO é um livro fantástico que surpreende do começo ao fim, e se me permitem dizer... Puxa vida! Que fim!


FICHA DO LIVRO

EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO
JOHN VERDON
Editora: ARQUEIRO
Ano: 2011                    
Nº págs: 340
Gênero: Policial

Cortesia da editora para resenha.



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