15 de fevereiro de 2011

RESENHA: O LEITOR - Bernhard Schlink (Ed. Record)


Bom dia pessoal,

hoje trago a resenha de um livro que já li faz um tempo, mas que gostaria de compartilhar com vocês.
Talvez por estar na área de educação eu veja um significado maior nesse romance. Porém, acredito que é impossível não se emocionar com sua leitura e principalmente, não parar para refletir sobre a problemática que o livro apresenta.

Vamos a resenha...


O Leitor, livro escrito em 1995 por Bernhard Schlink (ed. Record; 240 p.) tornou-se um sucesso mundialmente conhecido desde que o filme homônimo estreou nas telas do cinema (EUA, Alemanha 2008, cor, 124 min. Direção de Stephen Daldry). A história se passa na Alemanha pós-nazista (1958) e a personagem principal Michael Berg nos é apresentado como um advogado adulto, com a vida construída. Porém, incapaz de resolver seus conflitos amorosos do passado, sente-se preso a ele e torna-se um homem amargurado e fechado. É quando ocorre um flashback para contar sua história (desde quando era um jovem de 15 anos), para que assim entendamos seus motivos e razões para ter se tornado um homem amargo.

Michael, com seus 15 anos, retorna um dia para casa e passa mal no caminho, sendo ajudado por uma mulher, Hanna (21 anos mais velha que ele). No fim do seu período de convalescença ele volta a casa dela para agradecer e os dois acabam se envolvendo e iniciando um caso. O romance dura por todo o verão e, sempre muito reclusa e até mesmo dura, Hanna só lhe pede uma coisa antes do sexo, que Michael leia para ela (Odisséia, A dama do cachorrinho, etc), passando sempre a ter uma sessão de leitura nesses encontros.
Um dia, quando promovida para um trabalho em escritório, Hanna some sem deixar pistas. Michael sofre com a perda de seu amor, mas amadurece.
Passam-se os anos e agora ele é um estudante de direito. Orientado por um dos seus professores, ele e seus colegas vão acompanhar o processo de ex-oficiais da SS que estão sendo julgadas pela morte de prisioneiras judias.
É quando, oito anos depois, reencontra Hanna e desespera-se ao ver que ela é uma das rés do caso.
No depoimento, uma sobrevivente afirma que levaram ela e sua mãe para serem exterminadas na igreja e que Hanna a obrigava ler. Hanna confirma e é acusada de ser a autora de um relato redigido após o incêndio da igreja. Ela confessa sua autoria quando solicitada pelo juiz a assinar um papel para comprovar que a letra dela é a mesma do relato.
Então Michael se da conta que ela esconde um segredo e que ele sabe qual é, mas percebe que ela não quer ter tal segredo revelado. Hanna é condenada à prisão perpétua e as demais rés a penas menores.
Michael toca sua vida, casa-se, tem uma filha e separa-se, sendo sempre infeliz e amargurado.
Um dia, já em idade adulta, ao rever suas anotações sobre o caso, ele resolve gravar os livros que Hanna tanto gosta em fitas de áudio e enviá-los a ela na prisão. Com esse método ela aprende a ler e a escrever sozinha e passa a lhe escrever cartas, que não eram respondidas, apenas mais fitas de áudio enviadas.
Após muitos anos Hanna recebe liberdade por bom comportamento e uma vez que Michael é a única pessoa que lhe envia “correspondências”, é solicitado a ajudá-la quando sair da cadeia.
Esquecendo a perspectiva romântica e histórica do livro, podemos observar o quanto à temática do analfabetismo é importante.  No livro, Hanna obrigava Michael a ler para ela antes de fazerem sexo, assim como obrigava as “presas” dos campos de concentração a lerem também. Por ter vergonha de assumir seu segredo, ela chega a desistir de um cargo melhor para não ter que revelá-lo, mostrando vergonha de admitir seu analfabetismo perante os mais instruídos. Diante disso, acaba por se tornar uma mulher fria, sem emoções e afeto, muitas vezes incapaz de discernir o certo do errado. A falta de emoção na personagem é percebida quando Michael pergunta se ela o ama e a resposta é um aceno de cabeça, parecendo não saber o que significa tal sentimento. Ao que compete ao dicernimento do certo e errado, temos uma Hanna perdida, que parece não compreender o que fez de errado, tanto que em seu julgamento humildemente pergunta ao juiz: “O que você faria em meu lugar¿”
Bernhard Schlink mostra as consequências que Hanna sofreu ao não revelar esse segredo. Ela preferiu ser presa por um crime que não cometeu a revelar seu analfabetismo perante todos que acompanhava seu julgamento. Essa submissão de Hanna é característica comum aos analfabetos, com medo e vergonha das pessoas, eles acabam por esconder-se, deixam-se culpar por atos e até excluem-se do convivo social. 
O leitor é mais que um livro sobre pós-nazismo; é mais que um livro sobre relações e decepções amorosas. O leitor é um livro que faz-nos refletir acerca de um assunto que talvez nunca demos importância, nos coloca diante da cruel realidade do analfabetismo que, infelizmente, ainda permeia nosso mundo em pleno século XXI. 

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