20 de março de 2014

RESENHA: UM MUNDO À PARTE - Jodie Picoult (Ed. Verus)



Oi, pessoal.

Hoje vou falar de um livro emocionante ao extremo: UM MUNDO À PARTE da JODIE PICOULT, lançado ano passado pela VERUS.

Um Mundo à ParteUM MUNDO À PARTE
JODIE PICOULT
Editora: VERUS          
Ano: 2013                  
Nº págs: 585
Gênero: Drama

SINOPSE: Jacob Hunt é um adolescente com síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo. Ele é péssimo para interpretar pistas sociais e se expressar diante dos outros e, como muitas pessoas com essa condição, tem fixação por um único tema - no caso dele, análise forense. Jacob vive aparecendo em cenas de crimes, graças ao rádio de polícia que tem em seu quarto, e dando conselhos aos policiais sobre o que fazer... e geralmente ele está certo. Mas de repente sua pequena cidade é abalada por um assassinato terrível, e dessa vez é a polícia que vem atrás dele para fazer perguntas. De uma hora para outra, Jacob e sua família, que só querem levar uma vida normal, estão diretamente sob os holofotes. Para sua mãe, Emma, esse é um lembrete brutal da intolerância que sempre ameaçou sua família. Para seu irmão, Theo, é mais uma indicação de que nada pode ser normal por causa de Jacob. E, sobre essas pessoas tão ligadas entre si, paira a dúvida que consome a todos - Será que Jacob cometeu homicídio?

É praticamente um clichê considerar UM MUNDO À PARTE como um livro emocionante, pois nunca li nada da PICOULT que não fosse exatamente assim. A autora tem um dom especial para trabalhar com temas fortes e nos cercar de diversas visões sobre o assunto que aborda. Neste livro, ela vai tratar sobre a síndrome de Asperger. Depois de ter lido O PROJETO ROSIE e PASSARINHA, é impossível para qualquer leitor ver que um livro fala dessa síndrome e não querer ver qual foi a interpretação do autor ao tratá-la. É aqui que preciso ressaltar que PICOULT foi maravilhosamente perfeita em todas as suas colocações.

Em sua narrativa, toda em primeira pessoa, mas feita a partir do ponto de vista de diversos personagens, vamos conhecendo mais sobre Jacob, um garoto genial que tem a síndrome de Asperger.

É difícil apontar aqui o que mais me encantou no livro, se foi o aspecto dramático, o policial, ou o médico.

O dramático porque é simplesmente MUITO intensa e linda a forma como PICOULT resolveu retratar o problema de Jacob. Ela deu voz a todos os personagens, deixando que eles colocassem para fora seus medos, frustrações, decepções e angústias. É maravilhosa a sensação de poder ter a visão de todos os envolvidos, de saber as reações deles em cada situação, e principalmente, saber o sentimento deles em cada mínima situação que desencadeia uma crise em Jacob.

Em relação ao policial, não preciso nem dizer. Assim como o personagem principal, sou fascinada por livros e séries policiais, porém, não na mesma intensidade que Jacob, mas isso foi o ponto principal que me ligou ao personagem. ADOREI acompanhar o rapaz em seus monólogos sobre DNA, respingos de sangue, metodologia para descobrir pistas, pegadas, digitais, etc. Todas as vezes que lia Jacob falando de crimes, e que o próprio personagem dizia que as pessoas se cansavam dele por conta de seu imenso entusiasmo ao relatar os fatos e que, por causa do Asperger, não compreendia a hora de parar, pois o assunto se tornava cansativo, só conseguia pensar que eu seria a ouvinte perfeita de Jacob, ele poderia falar durante dias e dias sobre as reações químicas dos produtos para descobrir se a mancha é de sangue que não me cansaria.

Quando falo do encantamento sob aspecto médico, refiro-me a forma como a autora conseguiu expor de forma clara, para o leitor leigo, os aspectos da síndrome. PICOULT foi extremamente detalhista ao retratar as características do Asperger, assim como em falar sobre como a pessoa acometida com a síndrome age. O mais interessante de tudo, é que temos essas visões distribuídas no livro por vários personagens. Através de uma médica psiquiatra conhecemos as características gerais do Asperger; através de Emma e Theo, mãe e irmão de Jacob, sabemos quais “sintomas” são frequentes na vida do rapaz; e através do próprio Jacob vamos conhecendo o que a pessoa que tem a síndrome sente, como se sente em relação a si mesmo e aos que o cercam, e como sente tudo o que se passa ao seu redor.

Preciso dizer que apesar da abordagem de todos os personagens e do grande espaço que cada um deles teve na trama, ninguém me fascinou mais que o próprio Jacob. Primeiro, por sua genialidade; segundo, por sua simplicidade. Como os Aspergers têm uma visão literal de tudo, foi extremamente gratificante acompanhar o raciocínio lógico de Jacob. Suas respostas são sempre práticas e sinceras. Outro ponto que fez com que o personagem ganhasse meu coração foi o fato de ele adorar ciência forense, investigações e seriados policiais. Jacob é um verdadeiro gênio e sabe como investigar um crime com muito mais astúcia que a própria polícia. A realidade é que tenho tantas coisas em comum com Jacob, como nossa obsessão por CDs em ordem alfabética, roupas separadas de acordo com cores, problemas com barulho, com pessoas nos tocando, com a quebra de rotina, que foi impossível não amá-lo e compreender todas as suas razões. Essas semelhanças me ligaram tanto ao personagem, que não demorei nada a desvendar o que havia ocorrido naquela cena de crime e o que ele estava tentando dizer a todos desde o início. Na verdade, achei bem estranho que a mãe dele não tenha compreendido nas entrelinhas o que ele estava tentando dizer. Obviamente, nós leitores temos informações a mais do que está acontecendo do que Emma, justamente por isso somos capazes de compreender o que aconteceu, como aconteceu e as razões que levaram Jacob a se envolver na cena do crime, mas acredito que com perguntas mais específicas e claras, Emma também teria chegado à resposta muito antes de uma completa confusão se instalar em sua vida.

Apesar de ter achado o livro perfeito, duas coisas ficaram faltando: a primeira, foi o aspecto midiático, pois a menina que morreu era filha de um político. Até têm algumas poucas passagens que a mídia está presente, como quando Jacob chega ao tribunal para depor, ou o fato de eles estarem lá dentro fazendo a cobertura, ou ainda os jornais e a TV estarem divulgando o crime, mas, ainda assim, achei que isso foi pouco abordado. Gostaria de ter visto um maior envolvimento da população. Queria que PICOULT tivesse abordado como as pessoas se sentiam em relação ao crime, ao Jacob, e ao Asperger. Acho que teria sido um ponto importante que poderia focar no preconceito.

Outro ponto que senti falta foi do final. A meu ver, UM MUNDO À PARTE não teve o final digno que merecia. Apesar de toda a história se desenrolar ao final, de Emma, Henry, seu ex-marido, e Oliver, o advogado, enfim tomarem conhecimento dos verdadeiros fatos que envolveram Jacob ao crime, o livro terminou de forma abrupta. A família só toma conhecimento no último dia do julgamento, quando o júri está para dar o veredicto, e realmente acho que depois dessa descoberta tardia pela família, e já entendida há várias páginas pelo leitor, o livro merecia mais umas 50 páginas para contar o desenrolar da audiência no tribunal. Gostaria de ter visto a reação de alguns personagens com a revelação de como tudo ocorreu, e principalmente, como eles reagiriam ao ouvir o que Jacob tinha a confessar, e o que o levou a pensar e agir da forma como fez.

Por fim, preciso dizer que apesar dos pontos negativos do Asperger de Jacob, e são muitos, mas brilhantemente bem retratados para que compreendamos que essas pessoas apenas são diferentes de nós (ou não tão diferentes assim, já que tenho várias coisas em comum com Jacob), ainda com todas essas peculiaridades, para mim, Jacob foi o personagem mais especial, fantástico, genial, interessante e completo que já encontrei. Quando fechei o livro só conseguia pensar que Jacob era alguém real e que deveria agradecer por não ser “normal”, porque nenhum ser humano sem Asperger seria tão fascinante quanto ele.

Leitura perfeita e recomendadíssima! Sem dúvida mais um livro 5 estrelas e favoritado. PICOULT é diva!




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6 comentários:

  1. Uau! Não li nenhum livro que tem relação com a Síndrome de Asperger, mas tenho uma enorme vontade de ler Passarinha, de início.
    Abraços e um ótimo fim de semana!

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  2. Não conhecia esse livro, mas fiquei com uma vontade imensa de ler. Assim como os outros dois que você citou. Ótima resenha.

    Abraço!
    http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

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  3. Pelo o que você descreveu é um livro bastante intenso que mexe com os sentimentos e perspectivas da gente. Aguçou minha curiosidade de conhecê-lo.
    Ótima resenha.
    bjs
    http://arrozecereja.blogspot.com.br

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  4. Acabei de ler o livro. Foi exatamente o que senti em relação ao final: poderia ter desenrolado no tribunal e faltou,com certeza, a Helen quebrando a cara. Nunca vi uma promotora (fictícia,claro!)tão mesquinha.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Li esse livro. Tenho alguém dentro do espectro na familia, e achei o livro perfeito demais, justamente pelo cuidado em retratar varios pontos de vista. A falta de final claro me incomodou um pouco tbm. Mas ameeeei de paixão. Amei a resenha tbm bjos

    www.laryrumiantzeff.wordpress.com

    www.gnomaleitora.blogger.com.br

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